segunda-feira, 10 de junho de 2013

50 anos do Grupo Senzala - "Muita malemolência, ginga de corpo, aprendizado de vida e recomeços."









Três irmãos de origem baiana que treinavam Capoeira no terraço de um prédio em Laranjeiras, assim começa essa história. Paulo, Rafael e Gilberto Flores passavam sempre as férias de verão em Salvador e resolveram se matricular na academia de Mestre Bimba. Após três meses de aulas e de volta ao Rio de Janeiro, os três irmãos continuaram seus treinamentos aos sábados no prédio onde moravam. Fernando (Mestre Gato) chegou logo depois. Só conhecia capoeira dos livros, mas já se sentia atraído por ela, até que um dia viu Paulo resolver uma briga com um golpe de Capoeira. Dali surgiu o convite para fazer parte da turma do terraço. Como não havia a figura de um mestre, Paulo e Rafael acabavam sendo a liderança da turma.


Os treinos semanais não eram os únicos, "Eu pessoalmente, conheci um baiano formado do Mestre Bimba, meu colega de colégio, e dei alguns treinos com ele. Em Ipanema, onde eu morava, havia alguns alunos da capoeira de Sinhozinho e a gente trocava umas pernadas de vez em quando.", conta Mestre Gato.

O aprendizado do Grupo Senzala também se dava em visitas aos Mestres do Rio de Janeiro, como Mestre Artur Emídio, Mestre Leopoldina, que chegou inclusive a participar de algumas apresentações com o Grupo Senzala. Com Mestre Valdo Santana foram muitas apresentações e rodas, que ele fazia em sua academia de luta livre na Cinelândia. Mestre Roque que ensinava no Morro do Pavãozinho também foi uma grande influência.
Rafael, Peixinho, Claudio Danadinho, Borracha e Mosquito ainda  treinavam com Mestre Bimba nas férias de verão e frequentavam as rodas de Mestre Valdemar e Mestre Traíra. O retorno ao Rio de Janeiro era cheio de novidades, "Na volta a gente discutia os treinamentos, a maneira de jogar e fazíamos experiências, criando formas de treinamento.", recorda.



O nome "Senzala" e o Torneio Berimbau de Ouro

O nome  surgiu por sugestão do Paulo e aprovado por unanimidade, "Foi em 1965 ou 1966, tínhamos uma exibição para fazer no Clube Germânico e a gente estava conversando na casa do Rafael e ele disse que a gente ia precisar de um nome para ser apresentado.", lembra o mestre.
Mas o registro do grupo aconteceu em 1967, por ocasião do Torneio Berimbau de Ouro. O evento foi organizado pelo Clube dos Amigos do Folclore e era realizado na Feira da Providência. O torneio era aberto a todos os grupos e associações do Rio de Janeiro. Os grupos se apresentavam por 10 ou 15 minutos e uma dupla jogava por mais 5 minutos, sendo em seguida julgados por uma comissão de jurados que dava notas para cada apresentação. O troféu era conquistado pela equipe que primeiro vencesse por 3 vezes consecutivas ou 5 vezes alternadas, "Nós vencemos por 3 vezes, em 1967, 1968 e 1969, conquistando assim o Berimbau de Ouro. Nas duas primeiras vezes a dupla foi o Preguiça e eu. Em 1969, os organizadores disseram que nós éramos considerados professores e outra dupla nos representou, o Borracha e o finado Mosquito, vencendo também.", comenta Mestre Gato. 

Do Rio de Janeiro para o mundo

A expansão do Grupo para outros países aconteceu com a ida do Nestor Capoeira, na época corda vermelha do Grupo Senzala, para a Europa. Mestres Peixinho, Toni Vargas, Garrincha e Sorriso resolveram então passar uma temporada na Europa e ajudaram a organizar o 1º Encontro Europeu de Capoeiragem no ano de 1987. Mestre Gato embarcou para a Europa em 1989 e durante o ano que ficou na Inglaterra criou  o seu grupo de capoeiristas, sempre encorajados a virem ao Brasil vivenciar a Capoeira e a vida no nosso país. Nos anos de 1990 os Mestres do Grupo Senzala lideraram seminários e encontros no Brasil, Europa e Estados Unidos.
Apesar da grande influência da Capoeira Regional, Mestre Gato é enfático quando comenta a incorporação da Capoeira Angola de Salvador e da Capoeira Carioca, o que na opinião dele impossibilita uma definição entre Angola e Regional.
Mestre Gato conta que no início não havia um método estruturado de ensino aqui no Rio de Janeiro, " Começamos a seguir o método da Regional, incorporando outros treinamentos para jogo baixo, algumas sequências de treinamento, treinamento simultâneo da ginga e movimentos de capoeira, formando um conjunto de treinamentos e didática que influenciou muitas escolas de capoeira.", explicou.

Curiosidades



Uma das curiosidades sobre o Grupo Senzala é a organização do Grupo, que além de ser descentralizada, permite diferentes símbolos. Mas a coisa é muito mais organizada do que parece. O conselho é formado por   três diferentes grupos de corda vermelha, o primeiro formado pelos fundadores, mestres mais antigos que já estavam no Grupo na época do Torneio Berimbau de Ouro. Um segundo conselho de cordas vermelhas formados até 1990 e o terceiro composto pelos demais cordas vermelhas. Para um novo corda vermelha ser formado os três conselhos precisam aprovar a indicação. O novo corda vermelha continua ligado ao Mestre que propôs seu nome e utiliza, na maioria das
vezes, o mesmo símbolo.
 Atualmente são 38 cordas vermelhas: Paulo Flores, Claudio Danadinho, Gato, Gil Velho, Garrincha, Sorriso, Itamar, Toni Vargas, Ramos, Elias, Beto, Feijão, Samara, Arruda,  Rui, Bruzzi, Grilo, Abutre, Irandir, Lobinho, Torneiro, Jacaré, Malzibier, Deco, Pedro, Pulmão, Pelé, Steen, Flavio Caranguejo, Zumbi, Michel, Tida, Luis Claudio, Tarcisio, Igor, Chão, Rodriguinho e Chiquinho. 
Rafael Flores mantém um trabalho em Santa Luzia do Norte, mas trabalha de forma independente do grupo. Há dois anos Mestre Peixinho faleceu, o que para Mestre Gato representou uma grande perda para o Grupo Senzala, uma lacuna, mas que se ameniza pelo trabalho que ele construiu e o legado que deixou através dos mestres formados por ele. 
Na visão de Mestre Gato o que mudou nesses 50 anos foi a estrutura profissional com a qual o grupo se configura hoje. A maior parte dos Mestres e professores vive exclusivamente do ensino da Capoeira. Para Mestre Gato os 50 anos se resumem em "Muita malemolência, ginga de corpo, aprendizado de vida e recomeços.", ele acredita que a receita para se manter um grupo unido por tantos anos está no ambiente democrático que o Grupo Senzala sempre teve e também na humildade.
As comemorações já começaram, mas ainda dá tempo de festejar junto com o Grupo Senzala. As rodas e aulas abertas ao público serão realizadas em pontos culturais da Cidade do Rio de Janeiro, berço do
Grupo Senzala. A próxima será no dia 22 de Junho no Centro Silva e Sá, tendo início às 16hs.

De 17 a 21 de Julho a Cidade Maravilhosa recebe o evento principal.
Para saber mais sobre a programação, acesse o site comemorativo.


Fotos: Internet







quinta-feira, 6 de junho de 2013

E aí, qual a boa do final de semana?

Liberada a programação do final de semana. Boa vadiação a todos!


Quinta a Domingo

Oregon/EUA


Sexta a  Domingo

Amsterdam/Holanda



Grécia


São Francisco do Sul/SC




Sexta e Sábado

Neópolis/SE



Caxias do Sul/RS


Sábado e Domingo

Betim/MG


França


Valladolid/Espanha


Juiz de Fora/MG



Maria da Fé/MG


Sábado

Sorocaba/SP


São Gonçalo/RJ


Itanhandu/MG


Domingo

Rio de Janeiro/RJ


São Bernardo do Campo/SP



sexta-feira, 31 de maio de 2013

E aí, qual a boa do final de semana?

Aproveita o feriado e se joga na vadiação. Axé!

Quinta a Domingo

Londres/Inglaterra


Quinta a Sábado

Azerbaijan




Sexta a Domingo

Marabá/PA


Holanda



Sexta-Feira

Duque de Caxias/RJ


Fortaleza/CE


Sábado e Domingo

Bordeaux/França




Sábado

Aracaju/SE


Nova Iorque/EUA


Domingo

São Gonçalo/RJ


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Entrevista

MESTRE GATO
Grupo Senzala





Fernando Campelo Cavalcanti de Albuquerque nasceu em 14 de Junho de 1947. Pernambucano da Cidade de Recife, mudou-se para o Rio em 1952, onde permanece até hoje. 
Conheceu a Capoeira pelos livros de Jorge Amado, mas foi nos pés de Paulo Flores que viu a Capoeira pela primeira vez.
Ministrou aulas de Capoeira na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (onde foi aluno de Engenharia Civil)  e na Pontifícia Universidade Católica -PUC.
Mestre Gato conseguiu levar em paralelo a sua profissão e a vida de entrega e comprometimento de um mestre de Capoeira. 
*A entrevista a seguir foi realizada em Maio de 2013 e é inédita e exclusiva do Blog Capoeira de Toda Maneira


(Maíra Gomes) - Quando o senhor foi convidado pelo Paulo a treinar no Terraço de Laranjeiras já tinha algum conhecimento sobre Capoeira? Como foi seu primeiro contato com ela?

(Mestre Gato) - Foi numa festa em Laranjeiras, onde rolou um desentendimento entre o Paulo e outro rapaz. Eles foram para a rua resolver a parada, seguidos pela galera da festa. Na hora da briga, Paulo venceu seu oponente com um golpe de capoeira que me impressionou. Soube então que aquilo era capoeira e  Paulo me convidou para visitar o treino. Somente conhecia capoeira através dos livros de Jorge Amado e estava atraído pela magia de seus personagens .


(Maíra Gomes) - Com que frequência vocês se encontravam para treinar?

(Mestre Gato) - Nos sábados à tarde. Mas a gente procurava outros contatos também. Eu pessoalmente, conheci um baiano formado do Mestre Bimba, meu colega de colégio, e dei alguns treinos com ele. Em Ipanema, onde eu morava, havia alguns alunos da capoeira de Sinhozinho e a gente trocava umas pernadas de vez em quando.

(Maíra Gomes) - Por que o apelido de Gato ? Quem sugeriu?

(Mestre Gato) - Talvez tenha sido o Rafael. Não sei se por causa da agilidade, ou porque bebia muito leite na casa da saudosa D. Altair, mãe dos irmãos Flores, que sempre nos recebia com amor e paciência.


(Maíra Gomes) - Como sua família reagiu ao seu envolvimento com a Capoeira?

(Mestre Gato) - Meu pai era um pernambucano das antigas e viu com curiosidade.


(Maíra Gomes) - Quais os momentos mais marcantes na sua caminhada de capoeirista?

(Mestre Gato) - Quando a gente venceu o torneio  do Berimbau de Ouro em 1967; Um jogo que fiz com o saudoso mestre Camisa Roxa, falecido no mês passado, nos idos de 1968; Jogar com Nestor no The Place, Londres, em 1972; Fazer workshops de capoeira em lugares diferentes como Honolulu, Bali, e tantas outras cidades na Europa e Estados Unidos, levando nossa cultura popular a esses lugares e me sentindo valorizado por essa contribuição.



(Maíra Gomes) - Conte um pouco sobre o Torneio Berimbau de Ouro do qual foi campeão:

(Mestre Gato) - Foi um evento organizado pelo Clube dos Amigos do Folclore, a ser realizado na Feira da Providência, que acontecia durante alguns dias ao longo da Lagoa, Jardim Botânico, em frente à Sociedade Hípica Brasileira, até o clube Piraquê. Para participar, o grupo tinha que se registrar no Registro civil de PJ e fizemos sob o nome de Grupo Senzala, os diretores eram Paulo, Rafael e Gilberto Flores e os sócios fundadores, além deles três, o Preguiça e eu. O torneio era aberto a todos os grupos/associações do Rio de Janeiro e constava de uma apresentação de grupo por 10 ou 15 minutos e de um jogo de uma dupla por 5 minutos. A apresentação da dupla tinha um peso maior que a do grupo e uma comissão de jurados daria notas para cada apresentação. O troféu seria conquistado pela associação/grupo que vencesse por 3 vezes consecutivas ou 5 alternadas. Nós vencemos por 3 vezes,em 1967, 1968 e 1969, conquistando assim o Berimbau de Ouro. Nas duas primeiras vezes a dupla foi o Preguiça e eu. Em 1969, os organizadores disseram que nós éramos considerados professores e outra dupla nos representou, o Borracha e o finado Mosquito, vencendo também.

 
(Maíra Gomes) - Qual a sua formação acadêmica?

(Mestre Gato) - Além de capoeirista, sou engenheiro civil, com mestrado e curso de doutoramento  em recursos hídricos.


(Maíra Gomes) - O senhor hoje vive de Capoeira? Já teve empregos em outras áreas?

(Mestre Gato) - Sempre vivi do meu trabalho como engenheiro de recursos hídricos. Já trabalhei como faz tudo de escritório (Office boy), estagiário de engenharia, professor universitário, engenheiro mergulhador, engenheiro de recursos hídricos e como professor de capoeira (desde 1967).


(Maíra Gomes) - O senhor é casado? Quantos filhos tem? Todos capoeiristas?

(Mestre Gato) - Casado desde 1970, dois filhos e uma filha, 4 netos, todos capoeiristas.


(Maíra Gomes) - O senhor acredita na viabilidade de uma unificação das graduações na Capoeira?

(Mestre Gato) - Sou de opinião que as escolas de capoeira são como escolas de samba, cada uma tem seu sistema e essa liberdade deve permanecer. É uma arte popular, não deve ser padronizada.


(Maíra Gomes) - O que a Capoeira representa na sua vida?

(Mestre Gato) - Fonte permanente de inspiração e amor à vida.

Contato:

https://www.facebook.com/MestreGato?fref=ts


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Reunião de Mestres no IPHAN/RJ

O Encontro de Mestres de Capoeira do Rio de Janeiro promovido pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ocorreu nos dias 14 e 21 de Maio, onde foram discutidas  providências necessárias para que a Capoeira possa de fato ter seu valor reconhecido.
O IPHAN irá trabalhar em cada estado de forma independente.  Em Minas Gerais, por exemplo, o processo já está mais adiantado.
A primeira reunião no Rio de Janeiro teve como objetivo a apresentação mútua: Explicar aos mestres o que é o IPHAN e  apresentar ao IPHAN quem são os mestres de Capoeira do Estado. Alguns pontos de concordância foram levantados, mas poderão ser modificados ou substituídos conforme os novos encontros forem acontecendo.
Na segunda reunião os Mestres se pronunciaram e fizeram revindicações legítimas. O que percebi é que os discursos estavam muito pautados no abandono que a Capoeira sofre desde sempre. Cansados de não receber a devida atenção do poder público, alguns mestres acabavam por confundir a função do IPHAN e no afã de corrigir as falhas cometidas contra a Capoeira, seus mestres e praticantes durante os últimos 400 anos, acabavam por se exaltar e exigir decisões a curto prazo.
Alguns pontos unânimes foram a necessidade da criação de um Centro de Referência da Capoeira, o resgate histórico da Capoeira do Rio de Janeiro, e a retomada do espaço público, com a criação de espaços destinados a roda de capoeira nas praças e parques (espaço plano, redondo, coberto e com banheiros). Foi muito discutida também a necessidade de criar políticas para cuidar dos mestres idosos, como plano de saúde e até aposentadoria.
O IPHAN vai atuar em cima das necessidades apontadas pela comunidade, para assim redigir uma carta de Salvaguarda a ser enviada para Brasília, da mesma maneira que vem sendo feito com outros bens registrados, como o Jongo, as Baianas de Acarajé e o Samba Carioca.  
O primeiro passo será a criação de um grupo de trabalho e a formação de um conselho de Mestres, a ser definido  por votação, para direcionar as ações.
Ainda não há confirmação de nova data para a próxima reunião, mas cogitou-se o segundo semestre desse ano.
Saiba mais sobre Patrimônio Imaterial.
Participe do Cadastro Nacional da Capoeira

As fotos do Encontro você confere na página do Blog no Facebook. Aproveita e curte a nossa página!



sexta-feira, 24 de maio de 2013

E aí, qual a boa do final de semana?

Confira os eventos e rodas desse final de semana. Axé!


Quinta a Domingo

Goiânia/GO


Sexta a Domingo

Oslo/Noruega


Cachoeiras de Macacu/RJ


Porto/Portugal


Sexta e Sábado

Paris/França



Sábado e Domingo

Goiânia/GO


Sábado

Rio de Janeiro/RJ




Domingo

Salvador/BA


Embu das Artes/SP


Niterói/RJ


Rio de Janeiro/RJ



Duque de Caxias/RJ


sexta-feira, 17 de maio de 2013

E aí, qual a boa do final de semana?

Contagem regressiva para o final de semana. Aproveitem os eventos  e boa vadiação!

Sexta a domingo

Sergipe


Lima/Peru



Sexta a Sábado

Varginha/MG



Montes Claros/MG



Sábado e Domingo

Taubaté/SP



Extrema/MG




Campinas/SP


Sábado

São Gonçalo/RJ


Caçapava/SP


Barueri/SP


São Paulo/SP


Domingo

Juiz de Fora/MG


Rio de Janeiro/RJ



Biritiba Mirim/SP


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