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segunda-feira, 10 de abril de 2017

A palavra do Mestre - Graduações - Parte 4



Mais uma semana e mais seis mestres opinam aqui no Blog sobre as graduações. Nas semanas anteriores tivemos a opinião do Mestre Alexandre Batata, na parte 1. Na  parte 2 opinaram Mestre Goioerê, Mestre Linguiça, Mestre Preguiça, Mestre Cid , Mestre Ron e Mestre Kaco. Semana passada, na parte 3, foi a vez dos mestres Catitu, Chacal, Caçapa, Namorado, Buiu e Franja falarem sobre o tema. Hoje tem  alguns trechos de entrevistas antigas e também opiniões recentes, vamos conferir?


Mestre Gato – Senzala


"Sou de opinião de que as escolas de Capoeira são como escolas de samba, cada uma tem seu sistema e essa liberdade deve permanecer. É uma arte popular, não deve ser padronizada."*

*Trecho retirado de entrevista concedida ao Blog em Maio de 2013. Íntegra da entrevista aqui.






Mestre Polaco – São Bento Pequeno


"Na minha opinião é perfeitamente viável uma graduação única na capoeira, basta boa vontade, humildade e consenso entre as correntes(corda e cordel)."*

*Trecho retirado de entrevista concedida ao Blog em Abril de 2012. Íntegra da entrevista aqui.




Mestre Celso – Engenho da Rainha


"A Federação criou o cordel e foram chamadas pessoas de outros grupos, que moravam na Zona Sul, para participar das reuniões. Eles foram, mas resolveram sair fora e criaram a corda. O capoeirista é vaidoso, ele é mentiroso, ele tem vários defeitos.
O aluno não tem capacidade pra determinadas coisas, aí ele sai do grupo e sem condição de ensinar, sem nada ele monta seu próprio grupo e de repente ele inventa uma moda nova. Daqui a pouco nem corda, nem cordel, vão usar barbante. E tudo que ele faz, faz pra desmoralizar a própria capoeira. Por isso a capoeira não está organizada. Eu tenho viajado o mundo todo, o cara sai daqui do Brasil é aluno e lá fora ele bota uma graduação. Pra organizar a capoeira eu acho que tinha que ser gente de fora, que gosta, mas que não treina, não participa. Porque senão cada um defende o seu interesse e fica difícil organizar."*

*Trecho retirado de entrevista concedida ao Blog em Maio de 2011. Íntegra da entrevista aqui.





Mestre Boneco – Capoeira Brasil


"Acho sim, muito importante que todos os grupo venham um dia a ter uma única graduação. Só que e um trabalho muito delicado, pois todos nos teríamos que ceder de uma forma ou de outra!"*

*Trecho retirado de entrevista concedida ao Blog em Abril de 2011. Íntegra da entrevista aqui.







Mestre Cobra Coral – Capoeira Terranossa

"Acredito que as cordas profissionais deveriam ser sim padronizadas em uma cor única, melhorando assim a identificação em nível mundial. Já as graduações infantis e as graduações adultas, até a última corda antes de graduado, poderiam ficar a critério de cada escola com seu próprio sistema interno. Mas de Graduado em diante, que já é considerado um profissional de Capoeira, sim, todas as graduações (Cordas), profissionais deveriam ser unificadas e padronizadas em uma única cor e um único entendimento em nível mundial."




Mestre Cid – Afro Angola Congo Capoeira

"Até acho que deveria ser padronizado, mas vejo isso como um fato histórico, já que vieram africanos escravizados de diversas partes da África, de etnias diferentes. Então, era a forma que foi encontrada de misturar africanos de etnias diferentes, falando dialetos diferentes até para causar o não entendimento entre eles. Era a estratégia que eles usavam, para poder matar a raiz do africano aqui. Então, a gente tem que aceitar porque são escravizados que vieram de etnias diferentes, de lugares diferentes, falando dialetos diferentes, por isso essa confusão de cores e graduações.

segunda-feira, 21 de março de 2016

A palavra do Mestre - Capoeira é esporte? - Parte 4




Para finalizar a questão do reconhecimento da Capoeira como esporte, pelo Ministério dos Esportes, trago a opinião de mais 5 mestres: Mestre Gato, Mestre Linguiça, Mestre Flávio Saudade, Mestre Alexandre Batata e Mestre Meinha.
Se você perdeu as postagens anteriores, clique aqui, aqui e aqui para saber o que pensam os mestres Boneco, Caçapa,Thiara, Catitu, Franja, Namorado, Ron, Mara, Kaco, Barrão, Preguiça, Fumê, Toni Vargas, Adelmo e Bené.




Mestre Gato - Senzala

“Capoeira é arte popular, patrimônio imaterial cultural da humanidade, não é esporte. É uma manifestação de cultura popular, tem elementos de dança, arte marcial, música, teatro de rua, mas não pertence a um desses elementos apenas. São eles integrados que caracterizam, de forma única, a roda de capoeira e temos a obrigação de preservá-la. Ela se desenvolveu sem apoio oficial e está presente agora no mundo inteiro, atraindo interesses de pessoas que não têm nada a ver com seu contexto.”




Mestre Linguiça – Arte de Bamba

“Pra quem é capoeirista de fato, alma e de direito, Capoeira é muita coisa: cultura , luta, arte, dança, lazer, esporte, filosofia de vida e etc. Porém, para quem apenas quer usar a Capoeira, fragmentando fica mais fácil. Quem faz  no máximo 6 meses de aula na faculdade não adquire conhecimento suficiente para ensinar, mas estão ensinando.

Hoje um secretário de esportes pode captar recursos para fazer um campeonato e realizar o mesmo sem a necessidade de um mestre, contramestre ou professor de Capoeira.  pois é só comprar um CD, pegar as regras, que já estão escritas desde que foi regulamentada em 1973 pela Federação Brasileira de Pugilismo, e arrumar competidores para realização do evento. Ou seja , estão fazendo com a Capoeira o mesmo que fizeram com o carnaval. Nasceu como sendo do povo e para o povo, agora somente a elite tem participação efetiva. Assim está acontecendo com a Capoeira.”


Mestre Flávio Saudade - Coordenador do Projeto Gingando Pela Paz

"Após ser incluída no Código penal, em 1934 a Capoeira foi liberada e proclamada pelo então Presidente da República esporte nacional brasileiro. Porém, o que houve foi um golpe, uma verdadeira rasteira que limitou a Capoeira ao espaço fechado. Com isso, a sua identidade revolucionária e seu caráter institucional foram profundamente atingidos. E o que vemos hoje é mais uma tentativa de rasteira, talvez a maior delas, pois a formalização da Capoeira como esporte abriria espaço para a sua industrialização, o que atingiria diretamente a sua essência. Cresceriam as escolas formadoras de atletas, engordariam as federações e confederações, lucrariam os grandes investidores às custas da descaracterização da nossa cultura.

Porém, temos de ter consciência de que existem muitos grupos e mestres que defendem a Capoeira como esporte e desenvolvem suas atividades neste sentido. Estão errados? Creio que não. Como não estão errados aqueles que como eu defendem a Capoeira como manifestação cultural e instituição revolucionária.

Como disse Mestre Pastinha, a Capoeira é "tudo o que a boca come". Logo, cada um come o que quer. A Capoeira é plural e responde às necessidades de cada um, e certamente muitos não abrirão mão de vê-la a serviço do mercado. E acontecerá exatamente isso caso a Capoeira seja delimitada somente como esporte. E quem o faz, não o faz senão por interesses financeiros e comerciais, para este modelo capitalista que vemos hoje destruindo vulnerabilizando nações e sacrificando vidas.

Porém, precisamos, nós capoeiras, fazermos a nós mesmos uma pergunta: qual é a Capoeira que queremos? E o que desejo ser para a Capoeira? Particularmente, acredito que o papel da Capoeira e de nós capoeiras vai muito além do que defender a Capoeira, mas precisa sair em defesa de outras bandeiras, das bandeiras do povo, como o fim da violência contra a mulher, o combate à corrupção e outras tantas bandeiras sociais. Necessitamos retomar a essência da Capoeira enquanto instituição. Ontem estávamos fechados entre paredes, hoje estamos fechados neste navio que se chama internet. É preciso voltar às origens e mostrar o que realmente somos, uma grande instituição revolucionária. E isso deve partir do berço, do Brasil! Porém, para isso devemos antes deixar de ver nossas diferenças como algo que nos separa, devemos olhar para aquilo que nos une e nos torna irmãs e irmãos: a humanidade. E a nossa luta deve ser por esta mesma humanidade, que agoniza diante de uma política mundial que inverteu o sentido das coisas, criando um mundo onde reina a ganância e a sede pelo poder, nos afastou do que realmente somos e nos escravizou quando nos fez correr atrás do dinheiro a cada dia.

A Capoeira tem muito para nos ensinar pois ela é a própria humanidade em exercício. Portanto, ela vai muito além de uma prática esportiva, isso é fato indiscutível.  E é esta força que precisa ser demonstrada, não apenas contra esta medida arbitrária deste conselho, mas em todos os momentos em que a humanidade, a vida, esteja sob ameaça."





Mestre Alexandre Batata – Companhia de Capoeira Contemporânea

“Capoeira é tudo, mas nem tudo é capoeira se as intenções não forem fiéis aos atos.”






Mestre Meinha – Cruzeiro do Sul

“Em uma parte é bom para que tenhamos mais acesso a patrocínios e aprovações de editais. Em outra parte é ruim porque muitos professores de Educação Física poderão dar aulas sem experiência ou vivência no mundo da Capoeira, deixando muitos mestres com muita bagagem desempregados.

Só não concordo com este reconhecimento agora, porque já tem uma lei reconhecendo a Capoeira como desporto e patrimônio, então acho que isso é uma jogada política, sei lá, para roubarem o que é nosso e o poder, o sistema tomar conta da Capoeira. Não estou acompanhando muito esse assunto, porque acho uma desonra para quem luta sua vida toda por nossa arte e cultura e dar de mãos beijadas ao sistema”


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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Entrevista

MESTRE GATO
Grupo Senzala





Fernando Campelo Cavalcanti de Albuquerque nasceu em 14 de Junho de 1947. Pernambucano da Cidade de Recife, mudou-se para o Rio em 1952, onde permanece até hoje. 
Conheceu a Capoeira pelos livros de Jorge Amado, mas foi nos pés de Paulo Flores que viu a Capoeira pela primeira vez.
Ministrou aulas de Capoeira na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (onde foi aluno de Engenharia Civil)  e na Pontifícia Universidade Católica -PUC.
Mestre Gato conseguiu levar em paralelo a sua profissão e a vida de entrega e comprometimento de um mestre de Capoeira. 
*A entrevista a seguir foi realizada em Maio de 2013 e é inédita e exclusiva do Blog Capoeira de Toda Maneira


(Maíra Gomes) - Quando o senhor foi convidado pelo Paulo a treinar no Terraço de Laranjeiras já tinha algum conhecimento sobre Capoeira? Como foi seu primeiro contato com ela?

(Mestre Gato) - Foi numa festa em Laranjeiras, onde rolou um desentendimento entre o Paulo e outro rapaz. Eles foram para a rua resolver a parada, seguidos pela galera da festa. Na hora da briga, Paulo venceu seu oponente com um golpe de capoeira que me impressionou. Soube então que aquilo era capoeira e  Paulo me convidou para visitar o treino. Somente conhecia capoeira através dos livros de Jorge Amado e estava atraído pela magia de seus personagens .


(Maíra Gomes) - Com que frequência vocês se encontravam para treinar?

(Mestre Gato) - Nos sábados à tarde. Mas a gente procurava outros contatos também. Eu pessoalmente, conheci um baiano formado do Mestre Bimba, meu colega de colégio, e dei alguns treinos com ele. Em Ipanema, onde eu morava, havia alguns alunos da capoeira de Sinhozinho e a gente trocava umas pernadas de vez em quando.

(Maíra Gomes) - Por que o apelido de Gato ? Quem sugeriu?

(Mestre Gato) - Talvez tenha sido o Rafael. Não sei se por causa da agilidade, ou porque bebia muito leite na casa da saudosa D. Altair, mãe dos irmãos Flores, que sempre nos recebia com amor e paciência.


(Maíra Gomes) - Como sua família reagiu ao seu envolvimento com a Capoeira?

(Mestre Gato) - Meu pai era um pernambucano das antigas e viu com curiosidade.


(Maíra Gomes) - Quais os momentos mais marcantes na sua caminhada de capoeirista?

(Mestre Gato) - Quando a gente venceu o torneio  do Berimbau de Ouro em 1967; Um jogo que fiz com o saudoso mestre Camisa Roxa, falecido no mês passado, nos idos de 1968; Jogar com Nestor no The Place, Londres, em 1972; Fazer workshops de capoeira em lugares diferentes como Honolulu, Bali, e tantas outras cidades na Europa e Estados Unidos, levando nossa cultura popular a esses lugares e me sentindo valorizado por essa contribuição.



(Maíra Gomes) - Conte um pouco sobre o Torneio Berimbau de Ouro do qual foi campeão:

(Mestre Gato) - Foi um evento organizado pelo Clube dos Amigos do Folclore, a ser realizado na Feira da Providência, que acontecia durante alguns dias ao longo da Lagoa, Jardim Botânico, em frente à Sociedade Hípica Brasileira, até o clube Piraquê. Para participar, o grupo tinha que se registrar no Registro civil de PJ e fizemos sob o nome de Grupo Senzala, os diretores eram Paulo, Rafael e Gilberto Flores e os sócios fundadores, além deles três, o Preguiça e eu. O torneio era aberto a todos os grupos/associações do Rio de Janeiro e constava de uma apresentação de grupo por 10 ou 15 minutos e de um jogo de uma dupla por 5 minutos. A apresentação da dupla tinha um peso maior que a do grupo e uma comissão de jurados daria notas para cada apresentação. O troféu seria conquistado pela associação/grupo que vencesse por 3 vezes consecutivas ou 5 alternadas. Nós vencemos por 3 vezes,em 1967, 1968 e 1969, conquistando assim o Berimbau de Ouro. Nas duas primeiras vezes a dupla foi o Preguiça e eu. Em 1969, os organizadores disseram que nós éramos considerados professores e outra dupla nos representou, o Borracha e o finado Mosquito, vencendo também.

 
(Maíra Gomes) - Qual a sua formação acadêmica?

(Mestre Gato) - Além de capoeirista, sou engenheiro civil, com mestrado e curso de doutoramento  em recursos hídricos.


(Maíra Gomes) - O senhor hoje vive de Capoeira? Já teve empregos em outras áreas?

(Mestre Gato) - Sempre vivi do meu trabalho como engenheiro de recursos hídricos. Já trabalhei como faz tudo de escritório (Office boy), estagiário de engenharia, professor universitário, engenheiro mergulhador, engenheiro de recursos hídricos e como professor de capoeira (desde 1967).


(Maíra Gomes) - O senhor é casado? Quantos filhos tem? Todos capoeiristas?

(Mestre Gato) - Casado desde 1970, dois filhos e uma filha, 4 netos, todos capoeiristas.


(Maíra Gomes) - O senhor acredita na viabilidade de uma unificação das graduações na Capoeira?

(Mestre Gato) - Sou de opinião que as escolas de capoeira são como escolas de samba, cada uma tem seu sistema e essa liberdade deve permanecer. É uma arte popular, não deve ser padronizada.


(Maíra Gomes) - O que a Capoeira representa na sua vida?

(Mestre Gato) - Fonte permanente de inspiração e amor à vida.

Contato:

https://www.facebook.com/MestreGato?fref=ts


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Vadiação da Senzala- De 28 a 30 de Julho - RJ

Logo do Grupo Senzala/ Imagem do Google

Rio de Janeiro, Brasil

Esse ano o evento Vadiação, do Grupo Senzala, que acontece de dois em dois anos, tem um significado especial, será a última turma de cordas vermelhas formados por Mestre Peixinho.

Dos 12 cordas vermelhas, um será formado pelo Mestre Gato, sete são alunos do Mestre Peixinho e quatro são alunos do Mestre Ramos.

A festa é também uma homenagem e certamente "Seu Peixinho" não perderia um evento como este de jeito nenhum.

O Evento é organizado por todos os Mestres da Senzala (Paulo Flores, Claudio Danadinho, Caio, Gato, Gil Velho, Peixinho (in memoriam), Itamar, Garrincha, Sorriso, Toni Vargas, Ramos, Elias, Beto, Feijão, Samara, Claudio Arruda, Abutre, Zumbi, Irandir, Bruzzi, Grilo, Michel, Rui, Lobinho e Torneiro) com o objetivo de integrar e promover um espaço para discussões.

Na programação, oficinas, rodas, debates e exposições: 

28/07

17 h  7h30 – Inscrições
17h30 19h30 – Oficinas de Capoeira
19h30 – 21 h  Rodas de Capoeira
21 h– 22 h – Debates/Exposição de fotos e vídeos.

29/07

15 h às 15h30 – Inscrições.
15h30 – 17h30 – Oficinas de Capoeira.
18 h 19h30  – Oficinas de Cultura Popular.
19h30 – 21 h  Rodas de Capoeira
21 h – 22 h – Debates/Exposição de fotos e vídeos

30/07

10 h– 13 h – Oficinas de Capoeira
13 h – 15 h – Almoço no local
15 h – 17 h – Palestra e debate sobre Tradições, Fundamentos e Prática da Capoeira
17 h – 21 h – Rodas e cerimônia de formatura
22 h Festa de encerramento no Clube Copaleme

Mais detalhes sobre custos, hospedagem e ficha de inscrição, no site do Mestre Toni Vargas.

A Revista Praticando Capoeira e o Blog Capoeira de Toda Maneira são presenças garantidas na cobertura do Evento. Então, pra quem não puder estar presente, aguarde a nossa cobertura na Revista de Setembro e a prévia aqui no Blog (para dar um gostinho aos nossos leitores).

Fique com o vídeo do último Vadiação!


Vadiação 2009

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