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segunda-feira, 3 de abril de 2017

A palavra do Mestre - Graduações - Parte 3



Hoje nós temos a terceira parte da série sobre graduações que começamos aqui no Blog. Caso você tenha perdido, na Parte 1 o Mestre Alexandre Batata deu uma verdadeira aula sobre as graduações na Capoeira, desde os primórdios até os dias de hoje. Já na Parte 2 , temos a opinião de 6 grandes mestres sobre o tema.

Vamos lá?




Mestre Catitu – Herança Cultural

"Desde que me conheço como capoeira ouço falar em unificação e padronização no sistema de graduação. 
Na minha visão seria muito importante e interessante a padronização única da graduação, mas, por outro lado, vejo que a capoeira é muito mais forte do que qualquer tipo de padrão imposto!
Sua diversidade, raízes e tradições se entrelaçam e isso acaba sendo muito mais forte de que qualquer coisa imposta.
O que me deixa triste é a criação exacerbada, sem origem e fundamento nas graduações que vem surgindo a cada dia!"








A imagem pode conter: 1 pessoaMestre Chacal – UBADAC

"Na minha opinião tinha que existir apenas dois sistemas de graduação: corda, do sistema mais antigo, que é a senzala e cordel, do sistema do Mestre Mendonça. Mas o que acontece é que cada grupo que é montado com pessoas desqualificadas inventa uma graduação, porque não pode seguir o sistema que já existe porque vai ser criticado. O cara sai de um grupo corda azul de graduado e quando encontramos ele novamente ele está com uma corda, exemplo, roxa e laranja, aí fala que é a corda de professor do grupo dele, porque se ele colocar marrom a galera vai criticar e a roxa e laranja ninguém entende e sabe o que é, aí ele passa batido nas rodas. Esse é o meu ver.
Enquanto alguns, veja bem, alguns Mestres antigos apoiarem esses meninos que ficam sem Mestres porque não querem seguir uma orientação e acham que sabem tudo, a Capoeira vai ficar essa bagunça. Cada menino que sai do seu grupo, monta um grupo, cria uma graduação maluca e tem um Mestre que vai lá e apoia.
Hoje chego nas rodas e não sei mais quem é Mestre e quem é aluno, porque em um grupo a corda é de Mestre e no outro grupo a mesma corda é de aluno."



Mestre Namorado – Ibamolé Capoeira

"Eu acho esse assunto polêmico. Assim como a própria história da Capoeira tem suas “vertentes ou versões”, as tradições regionais  (angola, regional, capoeiragem) desde seu início existiram caminhos diferentes, maneiras, hierarquias, heranças culturais e pontos de vistas variados. Como unificar, padronizar as graduações? Quem cederia? Dos milhares de grupos, qual tem razão e por que? A Senzala vai mudar sua graduação, Muzenza, Abadá, Capoeira Brasil, quem daria o braço a torcer? 
Teria que existir um grande congresso, com seminários, palestras, muita resenha, historiadores respeitados, líderes da Capoeira, estudiosos, um grande debate teria que ocorrer. Aqui é Brasil, todos querem priorizar seus próprios interesses, crenças, ideais. 
A Capoeira é rica, vasta, possui contextos lúdicos, pedagógicos, culturais, esportivos, eu, particularmente cederia a uma grande mudança, verdadeiramente discutida e votada pela  “tribo” da Capoeira. Uma decisão dessas engloba existir uma grande federação, associações sérias e preparadas, coisas distantes. A Capoeira é a cara do Brasil, cheia de jeitinhos, política, apadrinhamentos, interesses diversos, corrupção e etc. 
Não vejo tão cedo existir a tal unificação. A vaidade é mais um contratempo."


A imagem pode conter: 2 pessoas
Mestre Buiu – Rede Anca


"Na minha opinião deveria sim, com certeza. Como forma de respeito a nossa arte, como ética esportiva, para que nossa arte tenha um pouco mais de respeito nos seus fundamentos, deveria. Penso dessa forma, as graduações devem ser unificada sim para um bem maior de toda a massa capoeirista."





Mestre Caçapa – Capoeira Terranossa

"Hoje na Capoeira tem muita gente querendo ter sem poder e gente dando sem ter. Banalização total da Capoeira e de seus fundamentos. A maioria dos mais antigos apoiam isso e não estão dando valor a sua própria história. Estão apadrinhando grupos, ex-alunos e alunos dos outros, com isso as graduações tomam formas e cores diversas, sem controle. Seria bom um sistema único de graduação, mas, com isso, vem várias outras questões. Resumindo, a Capoeira está perdendo o controle, o dinheiro está falando mais alto, o capoeirista está perdendo o sentimento, o coração já não bate mais como antes. Eu estaria disposto a seguir um padrão universal."



Mestre Franja – Rede Anca

"Essa variedade de graduações que tem na Capoeira é bem característico. Só capoeirista que consegue entender esses sistemas e leva tempo para você aprender. Como somos diferentes das outras artes, não tem nada de parecido com a Capoeira nas outras artes, as pessoas acabam entendendo que é uma coisa pejorativa e, na realidade, eu acho até bom, porque só consegue entender essa variedade quem é da Capoeira há muito tempo, que se dedica e realmente quer entender a Capoeira. Não vejo problema nenhum, pelo contrário, acho isso bacana, não acho pejorativo. Cada um tem a liberdade de usar a graduação que quer. Perante as outras lutas somos novos ainda, não dá para comparar. A Capoeira tem uma organização diferente, começa pela roda, pela musicalidade, não dá pra ficar comparando. Geralmente quem fala sobre esse monte de graduações compara com outras lutas, que possuem uma só graduação. Muitos querem que tenha um sistema só, mas eu acho que como a Capoeira, ela não é de uma pessoa só, não é só de uma maneira, ela tem a cara do brasileiro, somos diversos.
Não entendo no que vai melhorar a Capoeira em ter um sistema único de graduação ou se eliminar a graduação. Quando você unifica, ou padroniza, a Capoeira perde muito com isso. A Capoeira foi feita como uma luta de libertação, é livre, é liberta, a Capoeira é para se libertar e no momento que você padroniza ou unifica só em um sistema a gente está cortando todas as vantagens que a Capoeira tem sobre as outras artes. Eu não gostaria que acontecesse isso nunca na Capoeira. Talvez eles pensem que unificando a graduação seria uma maneira de organizar a Capoeira e eu não acredito nessa ideia. A Capoeira tem uma organização única e exclusiva dela, que não dá pra gente comparar com as outras. Então, unificar, colocar regra, ou um único sistema, a gente como capoeirista vai perder muito com isso e não vai somar nada para que a Capoeira se torne mais do que ela é. Isso não significa que não devamos nos organizar. Organizar não quer dizer padronizar, nem unificar, significa melhorar o que já existe, ou dar novos rumos para aquilo que já existe, que é a Capoeira. Lembrando que essa é a minha opinião e não a da Rede Anca, dentro da instituição também temos esse conflito, uns querem, outros não."



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A palavra do Mestre - Capoeira é esporte? - Parte 1




A discussão é longa e de simples não tem nada. As opiniões estão divididas e a única certeza é o futuro incerto da Capoeira como esporte. Não sabemos o que de fato vai acontecer, mas é necessário estar atento aos prós e contras gerados por esse reconhecimento. Para ajudar você a chegar a uma conclusão sobre o tema, conversamos com alguns dos mais renomados mestres da nossa arte e perguntamos:

Qual o seu posicionamento sobre o recente reconhecimento da Capoeira como esporte pelo Ministério dos Esportes?

A cada semana você acompanha a opinião de cinco mestres. Hoje: Mestre Boneco, Mestre Caçapa, Mestre Thiara, Mestre Catitu e Mestre Franja.





Mestre Boneco – Capoeira Brasil

“Acho que ela tem espaço para ser esporte também, só não podemos esquecer que, acima de tudo, é uma arte de transformação, ela é cultura de um povo, ela é musicalidade, é ritmo, é dança, é acrobacia, é folclore, arte marcial, tudo isso misturado em uma mesma "panela"!

Dias Gomes traduziu brilhantemente a capoeira em seu poema;
"A capoeira é luta de bailados, dança de gladiadores, duelo de camaradas. Na capoeira os contendores não são adversários, são camaradas, não lutam, fingem lutar, procuram dar genialmente a visão artística de um combate, acima do espírito de competição há um sentido de beleza, o capoeira é um artista, um atleta, um jogador e um poeta ...Há neles um sentido de beleza....”




Mestre Caçapa – Capoeira Terranossa

“A capoeira está sendo aprisionada, no meu ponto de vista. Nesse momento pode parecer bom, mas mais tarde vai mostrar para o que veio. 

A capoeira é arte, é cultura e muitos estão falando que o cara para dar aulas de capoeira vai ter que ser formado em educação física, não sei se e verdade. Aí eu te pergunto, aonde está a liberdade nisso? Hoje o cara é aluno e já monta grupo, imagine esse cara formado em educação física sendo amparado pela lei. No mínimo o cara para ser formado professor é de 10 anos, para ser formado em educação física são 4 anos, tu acha que esse cara vai esperar? Mas isso e só um pouquinho do que pode acontecer. Eu sou contra. 

Outra coisa, quem deu esse poder a eles para reconhecer a capoeira como esporte? ”



Mestre Thiara – Associação Iê Capoeira


“Existem aspectos positivos e negativos. Os positivos são vários como uma maior valorização da capoeira, captação de recursos, exigência de um nível superior para os futuros profissionais da capoeira entre outros, mas a preocupação é com o aspecto cultural da capoeira, os velhos mestres. 

Como ficaria a nossa capoeira nas mãos do Confef? A capoeira é mais que um esporte, qual seria o critério deste órgão para agregar recursos? 

Embora seja formada em Educação Física, não sei se seria bom estes recursos estarem sob a direção deste órgão. Pagamos uma anuidade alta para pouco respaldo, como seria com os capoeiristas?”  






Mestre Catitu – Herança Cultural

“A capoeira é esporte sim, mais também é cultura, é arte, música, é filosofia de vida!

Ela tem que ser reconhecida com tudo isso e ter recursos em todos os âmbitos por ser um patrimônio nosso. Com isso virão os órgãos controladores. Sou contra ela ser regida e fiscalizada por esses conselhos que nada sabem dela. Os saberes da capoeira vão muito além de um diploma.

Eu sou formado em Educação Física e sou contra a capoeira ser controlada por qualquer instituição que não haja algum vínculo com nossa ancestralidade e cultura.

Viva a nossa Capoeira!”






Mestre Franja – Rede Anca

“Eu acho que a Capoeira deveria ser reconhecida como esporte, mas o pessoal que está organizando esse movimento é o pessoal da Confederação Brasileira de Desportos e eles querem pegar o monopólio da Capoeira e isso não é bacana. 

Querem controlar a Capoeira com a ajuda do CREF/CONFEF e a Capoeira é livre, não seria bacana ela ser aprisionada. A Capoeira é um símbolo de libertação. Esse movimento não é um movimento legítimo, pra nós não vai ter vantagem nenhuma. 

Querem levar a Capoeira para as olimpíadas e pra ser um esporte olímpico tem que ter um padrão e a Capoeira não tem isso. Como é que você vai padronizar uma expressão corporal? 

Ela como um esporte entraria numa pasta que tem uma grana, isso pra gente é muito importante, porque é muito difícil conseguir uma grana do governo pra ajudar você a fazer alguma coisa. Se não tivesse esse movimento que quer pegar o monopólio da Capoeira, seria bacana. Cada mestre poderia fazer o seu campeonato, com suas próprias regras e receber um dinheiro do governo. 

Esse movimento desvaloriza o conhecimento dos mestres antigos. Eu sou contra esse movimento e não contra a Capoeira ser reconhecida como esporte, mas um esporte livre! É uma politicagem, eles querem cuidar da Capoeira como se fosse deles e a Capoeira não é de ninguém. Nós Capoeiristas somos da Capoeira. A capoeira é de todo mundo, ela é livre. Ela é até de quem não pratica capoeira, mas gosta, pesquisa, estuda,  fala sobre ela.”

Na próxima semana mais cinco mestres falam sobre o tema.  Nos acompanhe nas redes sociais e fique por dentro de tudo que rola no blog Capoeira de Toda Maneira.

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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Entrevista

Mestre Caçapa
Associação de Capoeira Terranossa





Guaracy Guedes nasceu em 1º de abril de 1976, uma data tão irreverente quanto o aniversariante. Carioca, conhecido por sua capoeira firme e seu jeito brincalhão. Não é exatamente unânime, mas sua capoeira nunca pode ser contestada. Um cara polêmico, sem sombra de dúvidas, dono de uma originalidade na forma de falar e agir, que muitas vezes pode incomodar. 
Uma pessoa que, se goste ou não, é impossível não admirar, seja por sua história de vida ou pelo talento como capoeirista. Mestre Caçapa contou sobre sua trajetória, falou de família e de suas inseguranças, um bate-papo único, como o nosso entrevistado.
*A entrevista a seguir foi realizada em Outubro de 2015 e é inédita e exclusiva do Blog Capoeira de Toda Maneira

“Hoje vejo gente querendo ter sem poder e gente querendo dar sem ter. Gente que eu não vi em outrora.”


Mestre Caçapa


(Maíra Gomes) - Conte um pouco do seu começo na capoeira?


(Mestre Caçapa) - Eu comecei a treinar capoeira em 1984, com o Mestre Brinco, que na época era do Grupo de Capoeira de Angola Pelourinho, aluno de Mestre Neco. Minha mãe era empregada doméstica dele e me levava para o trabalho com ela. Eu ficava no quarto de empregada e um dia ele pediu a minha mãe para me levar com ele. Aí ele me levou para a capoeira.



(Maíra Gomes) - Como sua família reagiu quando o senhor começou a treinar?


(Mestre Caçapa) - Minha mãe me apoia até hoje, até porque, ela sabia antes de mim que seria um caminho em que eu seria uma boa pessoa. Toda minha família sente orgulho de mim até hoje. Meu falecido irmão falava que eu era o melhor capoeirista do mundo, risos. Ubiraci Guedes, morto em combate, PM do Rio de Janeiro.



(Maíra Gomes) -Como foi sua caminhada até os dias de hoje?


(Mestre Caçapa) - Comecei com Mestre Brinco no Rio. Em 1988 fui morar em Recife, porque eu era um bom menino e o morro onde eu morava estava muito quente. Minha mãe achou melhor me mandar para Recife para morar com meu irmão. Lá conheci o Mestre Pequena e Mestre Paulo Angola. Fiquei treinando com eles e lá aprendi a Capoeira Regional. Voltei para o Rio e fui morar em Santa Teresa. Lá conheci o Mestre Fogo e comecei a treinar com ele no Grupo de Capoeira Raízes da Liberdade e mais tarde fundamos o Grupo Beriba. Minha primeira graduação foi dada pelo Mestre Fogo e cheguei até o cordel azul. Quando entramos para o Grupo Muzenza, com Mestre Burguês ele pegou estágio e eu a corda crua. Anos mas tarde peguei a corda azul de Instrutor, o Mestre Fogo saiu da Muzenza e eu fiquei. Tempos depois pedi ao Mestre Burguês para me passar para a supervisão do Mestre Cid de Niterói/RJ. Desde então estou com ele. Em 2007, Mestre Cid saiu da Muzenza e eu o acompanhei. Ele sentiu necessidade de montar seu trabalho, montar seu grupo, a Associação de Capoeira Terranossa Brasil.


(Maíra Gomes) - Quem o apelidou de Caçapa?


(Mestre Caçapa) - Assim que cheguei de Recife fui trabalhar de caseiro onde minha irmã trabalhava e o patrão dela conhecia um mestre de Capoeira. Minha irmã falou que eu jogava Capoeira e ele logo quis ver se era verdade. Me levou na academia do Mestre Fogo, me entrosei com a galera e me matriculei para treinar. Em uma descontração com os outros alunos eles me perguntaram qual era o meu nome, eu falei “Guaracy”, aí o Furão e o Bujão, dois irmãos, caíram na minha pele, falando “Guaracy boca grande”, “Guaracy bocão”, “Guaracy caçapa” e aí pegou. Desde então sou chamado no mundo da capoeira por Caçapa, antes eu era Guará.


(Maíra Gomes) -Hoje o senhor vive só de capoeira ou trabalha em outras coisas?

(Mestre Caçapa) - Eu sempre trabalhei, sempre corri atrás de grana. Eu comecei a dar aula quando estava no cordel amarelo e azul. Fui obrigado, eu treinava com o Mestre Fogo e nos desentendemos, fui treinar com Mestre Chocolate, aluno de Mestre Corvão. Ele foi para a França e me deixou cuidando do trabalho dele. Desde então não parei mais de dar aulas, mas nunca vivi plenamente do dinheiro das aulas. Eu trabalhei de tudo na vida, entreguei jornal, trabalhei no lixão separando plásticos, trabalhei fazendo carvão, trabalhei vendendo chocolates nos ônibus, trabalhei de motorista de ônibus, trabalhei de caseiro. Trabalhei fazendo figuração em vários comercias e filmes, como “Tropa de elite 2”, no qual fiz um policial.
Há 10 anos trabalho de segurança, a Capoeira eu tenho como uma filosofia de vida. Estou aqui hoje por conta dela, moro em comunidade e já estive com o pé no crime e a capoeira fez eu ser um ser humano melhor e me mostrou um mundo no qual eu entrei e nunca mais vou sair. Tenho um projeto social, nele as aulas de capoeira são gratuitas. Sou feliz e realizado!


(Maíra Gomes) -O senhor é casado e tem dois filhos, Gabriel e Gabriela. Hoje a Gabriela segue seus passos na capoeira. Ela é mais cobrada por ser filha, além de aluna?


(Mestre Caçapa) - Minha vida melhorou mundo quando casei. Conheci minha esposa na capoeira e tenho 2 filhos com ela, Gabriel e Gabriela. Sou casado há 18 anos. Biel e Biela sempre treinaram capoeira comigo, mas o Biel, apesar de levar jeito, prefere jogar bola. Eu nunca o obriguei a treinar, acho que isso tem que ser por vontade própria, mas fico triste por ele não treinar. Ele seria um bom capoeirista. A Biela, ao contrário dele, adora a Capoeira e por isso acho sim que ela é mais cobrada. Ela é minha filha, né, então, tem que ser exemplo para os outros alunos. Mas a cobrança tem limites, uso a capoeira para cuidar dela, o mundo de hoje está muito complicado. Hoje ela está com 16 anos e essa idade é fogo. A capoeira me facilita a cuidar da formação dela como pessoa e ela sabe disso. Agradeço a deus por ter em minha vida a Vanessa, minha esposa, e meus filhos, Gabriel e Gabriela. Esse tesouro foi a capoeira quem me deu!



(Maíra Gomes) -O senhor foi formado mestre em março desse ano. Era algo muito esperado pela comunidade capoeirística aqui do rio, em função do tempo e da sua atuação. Sempre foi seu objetivo chegar a mestre, ou isso foi uma consequência?


(Mestre Caçapa) - Eu sempre quis chegar ao cordel azul, com ele eu já poderia dar aulas e ser chamado de professor. Ser mestre nunca foi uma meta para mim. Eu levo a Capoeira muito a sério e ser mestre de Capoeira é uma coisa complicada demais. Mas fui pegando as graduações e de uma certa forma me segurando para eu não chegar na graduação de mestre. Para algumas pessoas e tão fácil chegar a mestre, mas para mim não. Mas fui levado, empurrado e quase que obrigado a pegar a graduação de mestre pelo tempo e pela minha trajetória, que eu tenho orgulho de falar para os quatro cantos do mundo que não foi de mentira. Fui formado pelo Mestre Cid, um mestre que já escreveu seu nome na história da capoeira e mais 60 mestres de renome do Rio de Janeiro. A minha formatura foi um dia incrível, não imaginei que iriam tantos mestres de capoeira, além de tantos outros contramestres e mestrandos, professores e alunos. 95% do Rio de Janeiro estava presente e também minha família meus alunos e meus amigos 
A primeira roda de capoeira que eu fui depois de formado mestre foi a roda do Mestre Titio Russo, de São Gonçalo. Eu não sabia o que fazer, como me portar, ou com quem jogar. Eu estava aterrorizado com aquela corda vermelha pendurada na minha cintura, mas fui jogando e rezando para a roda acabar. Quando a roda acabou foi um alívio para mim. Aí o mestre me apresentou e pediu para eu dar uma palavra. Nossa, eu gelei! Aí eu falei, “Mestre, me desculpe mas hoje foi o pior dia da minha vida!” e me danei a chorar. Saí da roda e fui para um canto e chorei, chorei. Mestre Machadinho e Mestre Linguiça foram atrás de mim e ficaram comigo até eu parar de chorar. Que doideira!



(Maíra Gomes) -Que qualidades um mestre precisa ter?


(Mestre Caçapa) - Qualidades de um mestre? Mestre é um capoeirista como qualquer outro. O cara chegar a mestre já é uma qualidade. A qualidade de cada um está nos olhos de quem vê, então, cada mestre tem os que veem as suas qualidades e as exploram, seguindo-o, respeitando-o e aprendendo com o mesmo.



(Maíra Gomes) -Que tipo de legado o senhor espera deixar para as próximas gerações que virão na capoeira?

(Mestre Caçapa) - Legado? Quando eu morrer pergunte a minha filha que ela vai te responder, risos.


(Maíra Gomes) -Pra finalizar, quem são seus ídolos na capoeira?


(Mestre Caçapa) - Tenho respeito por tantos caras na capoeira que posso ficar um dia inteiro falando, mas ídolo eu só tenho um, Alexandre dos Prazeres, o Mestre Buda. Ele teve uma passagem em minha vida que me fez ter certeza que escolhi o cara certo para eu ter como ídolo. Aniversário do Mestre Burguês em um evento em Curitiba, roda fervendo e eu ali dando meu jeito. Quem estava lá vai saber bem do que estou falando. Eu queria uma coisa, mas apesar de eu estar com mais três comigo na roda, fiquei sozinho, então fui para o fundo da academia e chorei, como nunca tinha chorado na vida. Quando parei de chorar, desci e o Urutum me chamou. Danei a chorar novamente, então Mestre Buda apareceu de carro mandou eu entrar e me levou para a casa dele e ficou a noite toda conversando comigo. Um dia que eu não vou me esquecer jamais!

Contato:

https://www.facebook.com/Mestre.Cacapa?fref=ts

E-mail: m.cacapa73@gmail.com



segunda-feira, 16 de março de 2015

Mestre Caçapa tem seu dia D

O evento "Dia D do Capoeirista" lotou a Arena Jovelina Pérola Negra








No último final de semana a Associação de Capoeira Terranossa recebeu os convidados do evento "O DIA D DE UM CAPOEIRISTA", evento de formatura do Mestre Caçapa, realizado no Rio de Janeiro/RJ.





No sábado(14/03), as atividades ocorreram no Piscinão de Ramos. Os Mestres Paulão, Altair, Gegê e Montana, ambos do Rio de Janeiro, palestraram para os capoeiristas presentes. 


Os aulões ficaram por conta do Mestre Cid, presidente do Capoeira Terranossa, e do Professor Jabazinho, vindo de Porto Alegre especialmente para a ocasião. 



No domingo(15/03), a Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, recebeu mais de 60 mestres para confirmar a corda vermelha conferida ao agora mestre, Caçapa.





A cantora Nai Dias abriu a cerimônia com uma música do Mestre Toni Vargas, acompanhada pelo violonista Tacito Savoya. Uma pequena encenação mostrou a necessidade de união dos escravos para que a liberdade fosse conquistada. 



Aos 4 anos, Guilherme deu show ao lado de seu pai, Instrutor Sombra, cantando e tocando diante da plateia emocionada. Não é a primeira vez que o pequeno mostra sua desenvoltura com o berimbau e o canto. 

A roda de contramestres e mestrandos simbolizou a despedida da graduação para o começo de uma nova jornada, agora com a corda vermelha. 


Os mestres subiram ao palco para a entrega da tão esperada graduação. A corda passou de mão em mão como uma forma de simbolizar o consentimento e de passar axé ao novo mestre.






Guaracy Guedes, nome de batismo do Mestre Caçapa, completa 39 anos em alguns meses e tem uma trajetória bastante marcante na Capoeira. Ainda menino começou a treinar Capoeira Angola com o Mestre Brinco, que era patrão de sua mãe. Ao lado do Mestre Cid está há cerca de 18 anos. 

O blog Capoeira de Toda Maneira parabeniza o Mestre Caçapa e deseja ainda mais sucesso em sua caminhada.




 Fotos: Maíra Gomes, Monitora Zangada, Professor Mandinga e Instrutora Malagueta.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Maceió recebe o 1º Circuito de Capoeira Terranossa


Alagoas, Brasil

Nos próximos dias 19 e 20 de março acontece nos estados de Alagoas e Sergipe o 1º Circuito de Capoeira Terranossa. Em Maceió, o aulão gratuito acontece dia 20 de março, domingo, na praia de Ponta Verde, às 16h, em frente a cafeteria Nakaffa e será comandado pelo Mestre Cid e Mestrandos Juba e Caçapa, todos do Rio Janeiro.

A realização é do Contramestre Galopante (SE) e da Estagiária Nana (AL), com a supervisão do Mestrando Juba e a coordenação geral do Mestre Cid

O evento é o primeiro do grupo no Nordeste e tem o objetivo de difundir, desmistificar e apresentar esse esporte tão antigo e praticado que é a capoeira. “É importante mostrar que a capoeira é uma brincadeira de criança, jogos de amigos, além de ser um forte instrumento educacional”, disse o Mestrando Juba.

A atividade tem o apoio do Centro Universitário CESMAC, das academias G1 e K2 Fitness, dos restaurantes Takê e Nakaffa e da loja Dell Anno. 

Mais informações pelos telefones (82) 9149-9808 e 9924-4043 e (79)9949-3613.

Barbara Esteves
Jornalista | Mte 1081
(82) 99120046
(82) 91260434

domingo, 13 de março de 2011

5º Saquá Beach de capoeira Terranossa

Parte do evento ocorreu na Cachoeira do Tinguí/Arquivo Pessoal
Rio de Janeiro, Brasil

Aconteceu nos dias 24, 25, 26 e 27 de Fevereiro o 5º Saquá Beach de Capoeira Terranossa, na cidade de Saquarema/RJ. O evento contou com aulão, rodas, batizado e troca de cordas, além de caminhada ecológica e Luau. 

Os participantes vindos de várias partes do Brasil e da Europa ficaram acomodados em uma pousada fechada para a ocasião, onde a capoeira rolou solta em todos os momentos possíveis. 

A organização foi do Mestrando Juba e de seus alunos, com a supervisão do Mestre Cid. Contrariando a máxima típica do Mestrando Juba "O capoeira na hora é que vê o que faz", o evento primou pela organização e cuidado com todos os convidados. 

O vídeo a seguir é a primeira parte da formatura do Mestrando Juba. Apreciem sem moderação, porque Capoeira boa nunca é demais!

Formatura do Mestrando Juba 



Primeira parte, jogos com:

Mestre Cid/RJ - Terranossa
Prof. Ponteira/ SP
Mestrando Caçapa/RJ - Terranossa
Mestre Kibe/BA
Mestre Lelo/ RJ - Beira mar
Mestre Mancha/RJ - Iê Capoeira


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