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terça-feira, 21 de março de 2017

A palavra do Mestre - Graduações - Parte 1



Uma das grandes discussões dentro da Capoeira é a questão da graduação. Muitas escolas desenvolveram seu próprio sistema, outras adotam o sistema de cordéis criados por Mestre Mendonça, há também o sistema da ABCP - Associação Brasileira dos Professores de Capoeira e não ter uma unificação ainda causa muita confusão. É aluno tirando mestre no jogo de compra, mestres sendo formados sem merecimento/tempo/história, grupos com sete graduações, outros com 20, nomenclaturas diferentes como grão-mestre, mestre mór, mestríssimo, enfim, ter um só padrão hierárquico facilitaria, mas é só isso?


Na semana passada enviei para alguns mestres a seguinte pergunta:  O que o senhor pensa sobre os diversos sistemas de graduação existentes da capoeira? A graduação deveria ser padronizada para todos os grupos?

A primeira postagem da série é especial, um panorama geral sobre as graduações ao longo da história da Capoeira. Com a palavra, Mestre Alexandre Batata:


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"Maíra Gomes perguntou:

– Mestre, estou fazendo uma pesquisa, o senhor acha que os capoeiristas deviam usar a mesma graduação?

Aí... eu respondi:

– Queria poder responder a tua pergunta com um simples sim ou não, porém, pelo carinho que tenho por seu lado de investigadora (jornalista), resolvi abordar o tema.

Este assunto vem em bom momento histórico, a morte do Mestre Damianor de Mendonça. Vamos a história!

Poderia começar lá nos tempos ancestrais, da proposta no sistema hierárquico tribalista, onde o tempo por si só determinava o respeito: criança, jovem, adulto e velho, mas vou dar um pulo e vamos ao século XIX.

As maltas cariocas, aquelas da época descrita como A ERA DOS VALENTÕES por alguns historiadores, tinham um sistema de nomenclatura hierárquico. As crianças, que já tinham algumas funções na malta, eram os CARRAPETAS. Os adultos eram CAXINGUELES, CAPOEIRA AMADOR, CAPOEIRA PROFISSIONAL e CHEFE DE MALTA. Perceba na hierarquia adulta os quatro tempos.

Mestre Bimba, aquele famoso baiano que em mais uma estratégia sincretista da capoeira criou a LUTA REGIONAL BAIANA, criou um sistema de graduação com QUATRO LENÇOS.

Durante a ditadura militar, com Presidente da República General Garrastazzu Médici. período mais agudo da Ditadura Militar, em 1968 havia sido publicado o Ato Institucional número 5, que suspendia direitos políticos, institucionalizava a censura e dava amplos poderes ao governo militar. Foi entre os anos de 1968 e 1973 também que o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, período no qual o país cresceu economicamente em níveis altos.

Havia um lema: BRASIL, AME-O OU DEIXE-O!

A capoeira em mais um sincretismo político entra nos “moldes”. Se filia ao Conselho Nacional de Desporto através Confederação Brasileira de Pugilismo e nos estados passa a ser dirigida pelas Federações de Pugilismo. Se não me engano, Rio, São Paulo e Bahia.

No Rio de Janeiro, Mestre Damianor de Mendonça criou o sistema de graduações de cordéis, nove fios trançados em três, cada três representava uma trindade. Não me recordo bem mas uma delas era O PAI,O FILHO E O ESPÍRITO SANTO. A ditadura era católica e para representar a hierarquia usa as cores da bandeira Brasileira, ou seja, do pavilhão nacional: verde, amarela, azul e branco. Olha os 4 de Novo. Tudo na mais perfeita ordem e progresso. 

Uma curiosidade


A graduação era verde, verde e amarelo, amarelo, azul e amarelo, azul (Instrutor) verde -amarela-azul.(Contramestre) branco e verde ( 1º Grau de Mestre) , branco e amarelo (2º Grau de Mestre, 10 anos de Mestre), branco e azul (3º Grau de Mestre, 20 anos de Mestre) e o branco (3º e último estágio, 30 anos de Mestre).

No Rio de Janeiro foram graduados: Mestre Artur Emídio (CORDEL BRANCO), Mestre Djalma Bandeira cordel (Branco e azul), Mestre Luiz Américo – Mintirinha (CORDEL BRANCO E AMARELO) e a todos os outros Mestres, o CORDEL BRANCO E VERDE.

Mas, no começo dos anos 1980, surgem as federações de Capoeira. Aí bagunçou. Eu explico:

Com o intuito de formar uma Confederação Brasileira de Capoeira. As federações convidam todos os capoeiras a prestarem exames, criam-se seminários, palestras, cursos e outros blá-blá-blás.

Havia uma ameaça que os professores de Educação física tomassem o monopólio, conversa fiada. A capoeira estava engatinhando, já era matéria na Universidade Federal do Rio de janeiro e mais tarde na Gama Filho (particular).

Vamos falar do Rio, tá?


Na Primeira banca examinadora, mestres já renomados se predispuseram a colaborar. Provas escritas, exames de competência, alguns discordaram, mas a maioria participou. Parecia que ia funcionar.

Até então havia uma ética, os mestres sabiam quem era quem.

Como diz o Mestre Bocka: “Não havia código escrito e nem sempre era por telefone, porque muita gente não tinha. A gente se encontrava e perguntava, ‘Aquele seu aluno…….?’ ”

Mas surge a 3ª banca examinadora e começa a venda de cordéis.

Vamos voltar as graduações, a ideia do cordel era boa, mas o material por si só era complicado.

Quem tinha “meia dúzia” de alunos trançava na boa, dava um trabalho danado.

A Senzala, grupo que sempre foi referência, explodia na época.

Um designer de calça criado pela Quitéria deixa o capoeira com um estilo mais “maneiro”, tendência da moda. Nasce o Capoeira Wear. O silk screem está bombando, surgem camisas e camisetas.

Os eventos passam a ser todos com camisas iguais (o cara não tinha aluno bom e os amigos alinhavam em nome da capoeira)

Aí em Niterói, ou na Trindade, não sei onde foi a conversa, Rogério Loureiro de Carneiro, O Mestre Moreno (não sei se já era mestre nesta época), 1º Mestre formado da Angonal, saca a onda de pintar nas cordas da senzala as cores do Cordel. A galera tinha muito aluno, haja saco para fazer cordel. Corda dá trabalho, mas cordel dá mais.

Concluindo


A partir dos anos 80 perdeu-se a ética, que existia sim, vi muito mestre se juntar e fechar academia de aluno incompetente. Mas, quando as federações deram papeis, era lei. Eu vi federação mandar fechar casa de Mestres competentes que não queriam entrar na palhaçada que reinava.

O fenômeno no início de 1980 expandiu. A capoeira passa de centenas para milhares.


Aí chega o século XXI


Google que pariu!!!!! O êxodo para o exterior. Grupos disputando quem tem mais bandeira de país na camisa. O tráfico de material de capoeira para fora do país, tanto que hoje em dia fica difícil trazer qualquer coisa.

Caras com meses assumindo grupos, capoeiristas que vêm, queimam o filme e vão embora. Estrangeiros montando grupos, apoiados pela lei do seu país, e que nem querem ver mestre brasileiro como referência.

A capoeira chega a mais de 150 países. De milhares viram milhões. Milhões de escritores, compositores, inventores, criadores e bilhões de copiadores da média. Mas, dentre milhões, existe quem resista e trabalhe sério. FELIZMENTE A MÉDIA ESTÁ USANDO O TERMO ANCESTRALIDADE.

Para fechar, normalmente quando se faz workshop, oficinas, vivência (convivência), separa-se os grupos em turma de: INICIANTES, INTERMEDIÁRIOS, AVANÇADOS E PROFISSIONAIS
Olha os quatro, criança, jovem, adulto e velho. "

E você, o que acha desse tema? Na próxima semana eu trago a opinião de outros mestres sobre a unificação das graduações. Não perca a gente de vista, siga o Blog Capoeira de Toda Maneira nas redes sociais.


Até lá!







quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Mestre Alexandre Batata de volta ao Brasil

Vivendo em Portugal, o mestre chega ao país para o lançamento de seu novo CD


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Imagem cedida de arquivo pessoal
Rio de Janeiro - Brasil

Mestre Alexandre Batata desembarcou em terras tupiniquins logo no início do ano. Na mala, além da energia e do vozeirão inconfundível, o Mestre trouxe seu novo CD. 

Gravado ao vivo em Portugal, Meu berimbau meu camarada, terá seu lançamento em Niterói/RJ, no dia 14 de Janeiro.

A noite de autógrafos é parte da programação do Intercâmbio Internacional Capoeira Terranossa, que comemora os dez anos de existência da Associação. O momento não poderia ser mais oportuno, já que Mestre Cid, responsável pelo evento e presidente da instituição, é aluno do Mestre Alexandre Batata, de quem recebeu a graduação de mestre há  22 anos.

Quem estiver presente poderá levar para casa o CD autografado e ainda curtir um som ao vivo, que encerrará o dia de atividades.


Fique atento a agenda do Mestre Alexandre Batata no Brasil:

04/01
Roda do Mestre Bocka
São Gonçalo/RJ

07/01 
Roda do Mestre Mintirinha
Rio de Janeiro/RJ

11 a 15/01 
Intercâmbio Internacional Capoeira Terranossa
Niterói/RJ

14/01
Lançamento do CD Meu berimbau meu camarada -20 h 30
Local: UFF - Universidade Federal Fluminense
R. Visconde do Rio Branco s/n – Campus do Gragoatá – São Domingos – Niterói


Contato:

Mestre Alexandre Batata
E-mail



segunda-feira, 21 de março de 2016

A palavra do Mestre - Capoeira é esporte? - Parte 4




Para finalizar a questão do reconhecimento da Capoeira como esporte, pelo Ministério dos Esportes, trago a opinião de mais 5 mestres: Mestre Gato, Mestre Linguiça, Mestre Flávio Saudade, Mestre Alexandre Batata e Mestre Meinha.
Se você perdeu as postagens anteriores, clique aqui, aqui e aqui para saber o que pensam os mestres Boneco, Caçapa,Thiara, Catitu, Franja, Namorado, Ron, Mara, Kaco, Barrão, Preguiça, Fumê, Toni Vargas, Adelmo e Bené.




Mestre Gato - Senzala

“Capoeira é arte popular, patrimônio imaterial cultural da humanidade, não é esporte. É uma manifestação de cultura popular, tem elementos de dança, arte marcial, música, teatro de rua, mas não pertence a um desses elementos apenas. São eles integrados que caracterizam, de forma única, a roda de capoeira e temos a obrigação de preservá-la. Ela se desenvolveu sem apoio oficial e está presente agora no mundo inteiro, atraindo interesses de pessoas que não têm nada a ver com seu contexto.”




Mestre Linguiça – Arte de Bamba

“Pra quem é capoeirista de fato, alma e de direito, Capoeira é muita coisa: cultura , luta, arte, dança, lazer, esporte, filosofia de vida e etc. Porém, para quem apenas quer usar a Capoeira, fragmentando fica mais fácil. Quem faz  no máximo 6 meses de aula na faculdade não adquire conhecimento suficiente para ensinar, mas estão ensinando.

Hoje um secretário de esportes pode captar recursos para fazer um campeonato e realizar o mesmo sem a necessidade de um mestre, contramestre ou professor de Capoeira.  pois é só comprar um CD, pegar as regras, que já estão escritas desde que foi regulamentada em 1973 pela Federação Brasileira de Pugilismo, e arrumar competidores para realização do evento. Ou seja , estão fazendo com a Capoeira o mesmo que fizeram com o carnaval. Nasceu como sendo do povo e para o povo, agora somente a elite tem participação efetiva. Assim está acontecendo com a Capoeira.”


Mestre Flávio Saudade - Coordenador do Projeto Gingando Pela Paz

"Após ser incluída no Código penal, em 1934 a Capoeira foi liberada e proclamada pelo então Presidente da República esporte nacional brasileiro. Porém, o que houve foi um golpe, uma verdadeira rasteira que limitou a Capoeira ao espaço fechado. Com isso, a sua identidade revolucionária e seu caráter institucional foram profundamente atingidos. E o que vemos hoje é mais uma tentativa de rasteira, talvez a maior delas, pois a formalização da Capoeira como esporte abriria espaço para a sua industrialização, o que atingiria diretamente a sua essência. Cresceriam as escolas formadoras de atletas, engordariam as federações e confederações, lucrariam os grandes investidores às custas da descaracterização da nossa cultura.

Porém, temos de ter consciência de que existem muitos grupos e mestres que defendem a Capoeira como esporte e desenvolvem suas atividades neste sentido. Estão errados? Creio que não. Como não estão errados aqueles que como eu defendem a Capoeira como manifestação cultural e instituição revolucionária.

Como disse Mestre Pastinha, a Capoeira é "tudo o que a boca come". Logo, cada um come o que quer. A Capoeira é plural e responde às necessidades de cada um, e certamente muitos não abrirão mão de vê-la a serviço do mercado. E acontecerá exatamente isso caso a Capoeira seja delimitada somente como esporte. E quem o faz, não o faz senão por interesses financeiros e comerciais, para este modelo capitalista que vemos hoje destruindo vulnerabilizando nações e sacrificando vidas.

Porém, precisamos, nós capoeiras, fazermos a nós mesmos uma pergunta: qual é a Capoeira que queremos? E o que desejo ser para a Capoeira? Particularmente, acredito que o papel da Capoeira e de nós capoeiras vai muito além do que defender a Capoeira, mas precisa sair em defesa de outras bandeiras, das bandeiras do povo, como o fim da violência contra a mulher, o combate à corrupção e outras tantas bandeiras sociais. Necessitamos retomar a essência da Capoeira enquanto instituição. Ontem estávamos fechados entre paredes, hoje estamos fechados neste navio que se chama internet. É preciso voltar às origens e mostrar o que realmente somos, uma grande instituição revolucionária. E isso deve partir do berço, do Brasil! Porém, para isso devemos antes deixar de ver nossas diferenças como algo que nos separa, devemos olhar para aquilo que nos une e nos torna irmãs e irmãos: a humanidade. E a nossa luta deve ser por esta mesma humanidade, que agoniza diante de uma política mundial que inverteu o sentido das coisas, criando um mundo onde reina a ganância e a sede pelo poder, nos afastou do que realmente somos e nos escravizou quando nos fez correr atrás do dinheiro a cada dia.

A Capoeira tem muito para nos ensinar pois ela é a própria humanidade em exercício. Portanto, ela vai muito além de uma prática esportiva, isso é fato indiscutível.  E é esta força que precisa ser demonstrada, não apenas contra esta medida arbitrária deste conselho, mas em todos os momentos em que a humanidade, a vida, esteja sob ameaça."





Mestre Alexandre Batata – Companhia de Capoeira Contemporânea

“Capoeira é tudo, mas nem tudo é capoeira se as intenções não forem fiéis aos atos.”






Mestre Meinha – Cruzeiro do Sul

“Em uma parte é bom para que tenhamos mais acesso a patrocínios e aprovações de editais. Em outra parte é ruim porque muitos professores de Educação Física poderão dar aulas sem experiência ou vivência no mundo da Capoeira, deixando muitos mestres com muita bagagem desempregados.

Só não concordo com este reconhecimento agora, porque já tem uma lei reconhecendo a Capoeira como desporto e patrimônio, então acho que isso é uma jogada política, sei lá, para roubarem o que é nosso e o poder, o sistema tomar conta da Capoeira. Não estou acompanhando muito esse assunto, porque acho uma desonra para quem luta sua vida toda por nossa arte e cultura e dar de mãos beijadas ao sistema”


Nós queremos saber a sua opinião sobre o assunto, não deixe de comentar. Ajude na divulgação do Blog compartilhando nossas publicações em suas redes sociais. Curta nossa fanpage no Facebook e se inscreva em nosso canal do Youtube.


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Mestre Alexandre Batata completa 30 anos de mestre com exposição em Portugal



Vivendo em Portugal há quase duas décadas, Mestre Alexandre Batata completa 30 anos como mestre de Capoeira e convida os amigos para uma celebração no Ginásio Clube de Faro, no dia 31 de outubro

Em conversa pela internet, o mestre conta que não preparou um grande evento para a data " Vou pegar meu berimbau e esperar as pessoas chegarem. Todos são especiais.", contou.

Sobre os grandes eventos ele explica "Quero paz e pouco aborrecimento. Evento grande dá muita dor de cabeça.", disse o presidente da Companhia de Capoeira Contemporânea.

O evento começa com uma exposição inédita sobre a carreira do mestre. Entre os itens do acervo estão fotos, diplomas, recortes de jornal e alguns de seus trabalhos como Cds e o livro A Floresta Encantada da Capoeira, lançado em julho de 2014.

Durante a roda de capoeira o homenageado receberá a corda comemorativa de 30 anos.


Quem conhece o mestre sabe de sua ligação com a música e por isso a festa não poderia terminar de outro modo, uma mesa de músicos fazendo um som ao vivo. 


Mestre Alexandre Batata é aluno do Mestre Mintirinha, da linhagem de Mestre Paraná e se orgulha muito disso. Sua trajetória é marcada por seu canto e seu trabalho infantil, que deu origem ao livro, publicado no ano passado pela Editora Chiado. A "Floresta Encantada da Capoeira" é um marco em metodologia de aulas infantis e é inteiramente baseado nas aulas ministrados pelo mestre nesses 40 anos de estrada.

Raízes d'África, seu trabalho musical mais conhecido, de 1991, marcou por sua identidade musical bem definida e absolutamente profissional que, apesar de não ser pioneira, é referência em termos de produção musical.

Saiba mais...


Fique ligado na programação

15hs – Abertura da exposição

16hs – Roda de Capoeira

19h30 – Pausa para o jantar

21h – Deu Bruxa no Samba


Local: Ginásio Clube de Faro - Rua Ivens, 12. Faro. Portugal


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Mestre Alexandre Batata e a sua "Floresta Encantada da Capoeira"

Há alguns anos escuto o Mestre Alexandre Batata contar sobre seu livro. Parece um pai orgulhoso falando dos feitos do filho. Mas é mesmo para ficar orgulhoso, apesar de não ter tido o livro em mãos ainda (ele ainda não foi lançado), tenho certeza de que se trata de um conteúdo mágico, como o próprio nome sugere.
Entre as curiosidades que cercam o livro, está a quantidade de vezes que ele precisou ser reescrito, pois o Mestre teve problemas com o armazenamento do arquivo. Superada a questão tecnológica, fica a expectativa para o lançamento.

Mas o que poderia ser apenas um livro do gênero fantasia como "Percy Jackson", 'Senhor dos anéis",  ou "Harry Potter", vai muito além disso. Com um conteúdo lúdico, apresenta o universo da Capoeira ao público infantil.
O livro "A Floresta Encantada da Capoeira" é baseado na metodologia de ensino desenvolvida pelo próprio autor, que aborda temas como a reciclagem e a preservação ambiental e apresenta músicas originais, que já vêm sendo cantadas nas rodas de capoeira pelo mundo. Para o público adulto se torna uma cartilha, que  possibilita a utilização da técnica por outros professores.

O Mestre conta um pouco dessa aplicação nas aulas, " A relação das crianças com o mundo animal é muito contagiante, próximo ao mundo da fantasia. Através dessa proximidade, utilizamos os movimentos dos animais como inspiração aos golpes de capoeira (origem da maior parte das lutas) e como exercício do imaginário.Tudo isso dentro de uma história cujo enredo é um passeio à Floresta Encantada da Capoeira.", explica.

Mestre Alexandre Batata aperfeiçoou a metodologia em Portugal, onde vive há mais de 12 anos, mas tudo começou em 1980 quando ele começou a dar aulas em colégios de Niterói/RJ. 
No vídeo a seguir vocês podem acompanhar alguns trechos dessa metodologia. 







O Livro


Quatro amigos encontram um pergaminho contando a lenda do Berimbau Encantado. Ao tentar entrar na Floresta Encantada da Capoeira encontram o Mestre Feiticeiro. Ele explica que as crianças não poderão entrar na floresta, pois os animais proibiram a entrada de seres humanos, para que não destruíssem mais a mata. Então, para que eles pudessem entrar na floresta são transformados em bichos. Porém, não conseguem enganar os seres mutantes que ainda viviam lá. Eram outros feiticeiros, o Zé Bambocaco, o Homem Gelo, o Homem Vassoura e a alegre Mulher Barbada. Muitas aventuras acontecem nesse reino até que eles cheguem nas Muralhas do Macaco Rei, onde se encontra o Berimbau encantado.


Lançamento ainda não tem data prevista

Apesar de não ter data para chegar ao mercado, o livro já vem causando grande expectativa e promete ser um sucesso entre o público. Assim que a data de lançamento for confirmada e a capa divulgada, faremos uma matéria especial aqui para contar tudinho e disponibilizar os canais para a compra.
Por enquanto, quem quiser entrar em contato com o Mestre para reservar seu exemplar, contratar para shows, workshops e eventos, pode fazer isso pelo  facebook, ou pode deixar mensagem aqui no Blog que a gente passa o recado.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mestre Alexandre Batata chega ao Brasil

Foto: Mestre Cobra Coral
Contei pra vocês que o Mestre Alexandre Batata esteve no evento infantil realizado pelo Mestre Cid em Niterói, lembram?
Fiquei devendo pra vocês maiores detalhes sobre a vinda do Mestre ao Brasil.
Batemos um papo e fiquei sabendo que o Mestre está de livro novo para lançar em breve. "A Floresta Encantada da Capoeira" é o primeiro título infantil dele e segundo o Mestre, mistura o universo fantástico com a metodologia de ensino da Capoeira desenvolvida por ele para o trabalho com as crianças, "É uma adaptação da Capoeira para o universo infantil", contou.
Os últimos ajustes estão sendo feitos para enfim chegar a editora, e em breve às mãos dos pequenos leitores.
Mestre Alexandre Batata contou que o livro não é para ser lido só pela criança, a ideia é que pais e filhos possam fazer isso juntos, de forma a interagirem e utilizarem o livro como instrumento educacional.
Além do livro, o Mestre pretende gravar seu novo CD e algumas das músicas foram apresentadas no evento, impressionando pela poesia das letras e pelo axé do cantador, quem conhece sabe do que eu tô falando! Quem não conhece, pode conhecer um pouquinho na entrevista que ele me concedeu há alguns anos atrás. 
Para quem quiser ter os dois últimos trabalhos do Mestre, suas músicas estão disponíveis para compra no site da Dundak.
No próximo domingo o Mestre tem show agendado no Maria da Praia Restô e Lounge, na Praia de Piratininga em Niterói/RJ. O show terá no repertório sambas consagrados e o mesmo show que ele vem fazendo pela Europa. A agenda do mestre ainda tem algumas datas em aberto para shows, cursos e eventos, os interessados devem entrar em contato pelo perfil do Mestre no Facebook, ou escrever para maira.xarazinha@gmail.com que a gente dá o recado.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Entrevista


 Mestre Alexandre Batata
  Companhia de Capoeira Contemporânea


Nascido no Rio de janeiro em 12 de Abril de 1961, Mestre Batata faz questão de dizer:Polêmica podia ser seu sobrenome, já que o Mestre Batata não tem papas na língua e responde no ato a qualquer pergunta. Dono de uma energia sem igual, o nosso entrevistado deste mês, agita qualquer roda com seu canto e seu berimbau. Ele acaba de escrever um livro que está em fase de finalização e nos conta em detalhes sua história na capoeira, esporte que ele abraçou há 33 anos.
“-Sou Aluno do eterno e poderoso Mestre Luís Américo da Silva, Mestre Mintirinha.”
A entrevista foi feita numa quinta-feira, dia 11 de Dezembro de 2008, em Niterói, após um treino que o próprio Mestre Batata puxou no La Salle. Clima mais do que descontraído, a entrevista foi feita na mesa de um bar, para poder acomodar a platéia que teve o prazer de assistir em primeira mão a entrevista.
Não da pra perder, essa que promete ser a entrevista mais ardida e completa das que já tivemos no Blog. Além de estar recheada de conhecimento.

*A entrevista a seguir foi realizada em Dezembro de 2008 e foi publicada originalmente no site da Associação de Capoeira Terranossa.
                                                                                    
(Maíra Gomes) - Como o senhor começou na capoeira?

 (M. Batata) – Bem, eu comecei na capoeira de uma forma muito estranha. Eu morava em Copacabana e no Colégio Cícero Pena eu vi uma apresentação do grupo Senzala e gostei muito da capoeira. Depois eu tava no meu apartamento conversando com uma garotada lá, e um cara me disse “Capoeira? Eu faço capoeira.” e me deu uma benção nos peitos e me colou na parede. Aí eu fiquei com aquilo na cabeça. Aí eu tava no Grajaú, na casa do meu primo Max e ele começou a brincar e tal, dá pulo para um lado, pulo para o outro e eu comecei a brincar com ele, achei aquilo legal e ele falou assim “Poxa eu vejo a capoeira aqui na academia do Mestre Mendonça no Grajaú”. E eu resolvi entrar na capoeira. Mas só um ano mais tarde é que o meu amigo o Ângelo, falou assim “Eu sou aluno do Mestre Mintirinha, que dá aulas na ABB, vou te levar pra conhecer o meu mestre.” Conheci o Mestre Mintirinha e foi paixão pela primeira vista, pela capoeira, desde o dia primeiro de Abril de 1975 que eu faço capoeira sem parar.

(Maíra Gomes) - Como foi a caminhada até os dias de hoje na Companhia de capoeira Contemporânea?

(M. Batata) – Eu comecei na ABB, com Mestre Mintirinha, num grupo chamado Capoarte de Obaluaê. Minha família mudou pra Niterói e eu não quis vir. Morei seis meses com um tio para não abandonar a capoeira. Mestre Mintirinha parou de dar aula na ABB em 1977 e foi trabalhar com as crianças da Funabem eu vim a Niterói e não via capoeira. Aí vi num panfleto na rua de musculação, quando eu cheguei na academia de musculação eu vi um cara enorme fazendo musculação e ele virou pra mim e disse “Você não devia fazer musculação não, porque você é atarracadinho. Se você fizer musculação você vai ficar uma batatinha, você devia fazer capoeira”, aí eu falei “Pô eu adoro capoeira, sou aluno do Mestre Mintirinha, quero fazer capoeira” e ele respondeu “Eu sou Mestre Alcion e dou aula na Associação de capoeira Barravento”. Então Mestre Alcion me trouxe pra Barravento, onde eu treinei onze anos. Eu consegui aqui em Niterói fazer com que a capoeira fizesse um “boom” brutal. Quando eu treinava na Barravento o Mestre Bogado tinha arrebentado o joelho, o Mestre Alcion tava parado, treinava só eu e um mestre, que eu treinei muito com ele, esse cara também foi meu mestre de capoeira, José Torres Galindo, o Mestre Mudinho. Mestre Mudinho era muito técnico e eu também treinei muito tempo sozinho. Tanto que em 1978 a Barravento foi disputar um torneio na academia do Mestre Travassos e eu fui sozinho disputar as categorias leve, médio e pesado, capoeira figth e fiquei em terceiro lugar nas três categorias. Fiquei na final, tava com a luta ganha, jogando com um grande capoeirista, o Dário. Tropecei na perna dele, caí e quebrei o cotovelo.
Depois por questões que não vale a pena falar, uma coisa é o seguinte, quando você gosta de alguém fale sempre, quando você não gosta de alguém, fale o mínimo necessário. Eu trabalhei muito pela Barravento e chegou uma altura que eu achei que o meu espaço estava sendo desrespeitado de alguma forma. E quando alguém começa a invadir o meu espaço eu simplesmente faço assim: Fica que eu vou! Sai da Barravento, fiz o Raízes d´África que explodiu, foi brutal, aí um bando de adolescentes, alunos meus resolveu tentar seguir seus próprios caminhos, o Fumê, o Sabonete e o Cícero, resolveram criar um grupo, que era o Aruanda. E os únicos que ficaram comigo foram o Cid e o Kryptonita. Quando o Raízes d´África se dividiu com o Aruanda eu nunca deixei de ser amigo dos meninos do Aruanda, ia a todas as rodas deles, íamos a todas as festas, fazíamos tudo juntos, eles quiseram criar o trabalho deles e a maior prisão é a liberdade, então você deixa o cara voar, de repente ele vai parar assim “Nós não demos valor ao que o mestre estava nos dando e agora a gente vai tirar de onde?”
Eu tinha ficado seis anos sem falar com o Mestre Burguês, por causa de brigas dele com o Mestre Bogado. E o Mestre Mintirinha estava voltando a dar aula, então eu resolvi me juntar ao nome forte da Muzenza.
Anos depois algumas coisas começaram a me incomodar. Tinha uma pessoa que sabia que eu ia sair da Muzenza, que era o mestre Cid, ninguém mais sabia, ele era meu amigo, super confidente e eu falava que já não tava aguentando mais. Num certo dia no batizado do Mestre Fume, eu falei “Pessoal to indo embora e não quero ninguém comigo, porque vocês fizeram um trabalho, o trabalho ta muito legal, toquem o trabalho” o único que veio comigo foi o Kryptonita, porque não tinha como. Criei a companhia de capoeira contemporânea, e é uma frase que o próprio Mestre Cid diz: “Pô mestre o senhor pode ir embora daqui pra qualquer lugar do mundo, que você com o seu berimbau, você encanta e já não é uma coisa que eu tenha facilidade pra fazer” nessa época o Mestre Cid ainda tava apanhando pra tocar um berimbau e tinha essa dificuldade, e tem uma coisa, fez cantadores melhores que os meus, sem cantar, só encantando. Então eu peguei o meu berimbau e criei a Companhia de Capoeira Contemporânea e uma frase muito simples “Mestre não precisa de aluno, aluno é que precisa de Mestre, porque eu faço alunos”. Fiquei com a Companhia, tava muito legal, trabalhando nas escolas, Cirandinha, Aquafish, montei minha academia aqui na minha casa, tava na academia Raia, Saquarema. Em um ano e pouco eu já reestruturei meu trabalho. Aí surgiu uma ideia de ir pra Portugal, eu me mandei pra Portugal. Em Portugal hoje, a Companhia ta muito legal, eu faço um evento lá chamado Meeting internacional de capoeira, que é um dos grandes eventos de Portugal, em 2003 eu fiz um evento levei o Mestre Arthur Emídio, Mestre Mintirinha, Mestre Alcion, levei o Dinho nascimento, músico e Mestre Marinaldo e nesse evento tiveram 1000 capoeiras inscritos, três dias de capoeira comendo solta. Pra quem pegou um ônibus daqui pra Porto Alegre, pra roda do Mestre Nino, jogar na roda, ir à festa e depois pegar um ônibus de volta pro Rio, andar pela Europa é tranquilo.

(Maíra Gomes) - Quem o formou Mestre?

(M.Batata)  Na verdade ninguém me formou mestre. Não se forma um mestre de capoeira. As pessoas dão o direito a alguém ser reconhecido como mestre de capoeira. Por que essa história de mestre de capoeira é muito complicada, porque até 1972, não existia nenhum sistema de graduação. Em 1972 foi quando o Mestre Mendonça criou o primeiro sistema de graduação. Então antigamente as pessoas eram mestres porque chegavam na roda e se garantiam e tinham uma maestria. Então esse negócio de título de mestre começou de 72 pra cá, tanto que tem muito mestre que pegou corda de mestre com 3, 4 anos de capoeira e hoje em dia demora 30 anos pra dar o direito de alguém ser reconhecido como mestre. Então um mestre de capoeira ninguém forma. Um mestre de capoeira é combustão espontânea. Você vira mestre de capoeira se você for dar aula ali no Barreto, morar do lado de uma padaria e todo dia passar com a roupa de capoeira. O padeiro vai falar “Lá ta indo o mestre de capoeira”. Então quando eu peguei a minha corda de mestre, que não era nem corda era um cordel branco e verde, o Rio de Janeiro teve uma banca de mestres e eu tive uma nota muito legal, 9.9 da banca. Então acontece que quando eu peguei a minha graduação de mestre eu só tinha 10 anos de capoeira. Eu com três anos de capoeira eu comecei a dar aula de capoeira. E quem me indicou pra pegar a corda de mestre, foi o Mestre Alcion e um cara que eu treinei muitos anos com ele que é o Mestre Bogado. Mas que por questões de ideologia eu prefiro deixar ele enterrado nas memórias.

(Maíra Gomes) – Sobre Música. O senhor lançou um vinil, com músicas próprias e de amigos. Anos depois o relançou em CD. Como foi o processo de criação desse trabalho? Foi um trabalho pioneiro nos arranjos, falando-se de música de capoeira?

(M. Batata) – Não, não foi pioneiro. Em 1973 o Mestre Suassuna já tinha lançado um disco chamado “Cordão de ouro”, e o disco dele já tinha esse esquema de harmonia, violão. Eu não fui o primeiro a fazer. O meu trabalho foi um trabalho que na época causou um impacto porque causou, mas eu não fui pioneiro em nada. Só que o disco foi muito legal.

(Maíra Gomes) – Então ao que se deve o sucesso do disco?

(M. Batata) – Sei lá, acho que eu sempre fui muito midiático. Eu andei muito no mundo da capoeira. Quando eu lancei o “Raízes d`África” em 1991 eu já tinha corrido o Brasil inteiro, já tinha sido campeão brasileiro de capoeira, já tinha feito um trabalho de resistência muito grande. Porque o que acontece é o seguinte, eu dentro da capoeira sofri um preconceito por ser playboy. Eu era o branquinho da Zona Sul, que não saia do Subúrbio. Então, ia pras rodas de capoeira, ia pro samba, ia pro morro. Enquanto as pessoas saiam do subúrbio pra ir pra praia, eu saia daqui pra ir pro subúrbio. Eu acho que foi a qualidade das músicas e uma coisa que teve também, esse disco foi gravado só eu e o Mestre Mintirinha E o Mestre Mintirinha é um monstro da música. Porque o que acontece é o seguinte, quando o Mestre Mintirinha foi gravar o disco comigo, foi exatamente na época que tinha aquela novela Pantanal, que agora ta reprisando e a minha ideia quando eu vi aquele velho do rio, foi resgatar a imagem do Mestre Mintirinha e do Mestre Paulão que estavam perdidas. E o trabalho bombou. E eu não sei por que, que eu só gravei duas mil cópias há 16 anos atrás e em qualquer lugar do mundo que eu chego as pessoas conhecem as músicas do disco “Raízes d`África”. E esse disco foi muito legal porque eu já encontrei vários capoeiras que hoje são mestres de capoeira, inclusive um deles é o Mestre Chapão, um capoeira fantástico que tem em Portugal, que é de Pernambuco, que eu o vi cantando e disse “Eu sou seu fã, você canta muito bem” e ele me respondeu “Mestre eu aprendi a cantar ouvindo seu disco”. E isso é muito legal. E por incrível que pareça uma das músicas que mais sucesso do meu disco não é uma música minha. O disco tem uma coisa muito legal, o Mestre Cota, adora a música do Sorvete, que é aquela “Foi num samba de roda, que eu vi minha preta chorar (...)” ele chega “Batata, canta aquela música”. Têm outros que gostam de outras músicas. E a música do Mestre Toni Vargas, eu quando gravei pedi autorização dele para gravar, e o que acontece, eu fiz um arranjo diferente da música do Mestre Toni, se você pegar o Mestre Toni cantando a música do Mestre Pastinha, ele canta de um ritmo, de um jeito, eu canto de outra forma. E a forma que eu cantei eternizou a música do Mestre Toni Vargas, grande poeta inclusive. E a música que pra mim mais fez mais sucesso foi a música do Cícero, e eu acho que o Cícero só fez uma música de capoeira na vida dele, que é aquela “Capoeira é beleza, é tradição (...)” e pegou.
           

(Maíra Gomes) – O senhor tem intenção de lançar um novo trabalho na mesma linha?

(M. Batata)  Eu sou um cara tão perfeccionista, eu sou tão chato, tão chato, tão chato, que eu sou chato comigo mesmo.Eu gostei tanto do trabalho do “Raízes d´África” que cada vez que eu entro pra querer gravar, e você vê só, o disco do “Raízes d´África” ficou muito legal, mas depois de um tempo você vai vendo ele não ficou bom do jeito que eu queria, e eu to sempre querendo gravar. Eu tenho muitas músicas, tenho música pra fazer 10 Cd´s, e se não tiver eu sento no estúdio e faço na hora. Mas eu sou muito chato, muito chato, muito chato e acontece uma coisa, com essa pirataria que acontece hoje em dia, ás vezes eu perco o tesão de botar o disco no mercado, mas eu tenho vontade, de agora por exemplo em 2009, quero lançar um CD e a “Floresta encantada da capoeira”, o livro de crianças que eu escrevi.
                              
(Maíra Gomes) – Eu gostaria que o senhor explicasse sobre o que  fala o livro.

(M. Batata)  Chama-se “A floresta encantada da capoeira”, o que é a floresta encantada da capoeira? Eu quando comecei a trabalhar com crianças, eu vim criando uma metodologia, por falar em trabalho com criança, é super importante eu frisar isso, a primeira pessoa que deu aula pra criança em Niterói fui eu, numa escola chamada Colégio Bethânia. Quando você chegava pra dar aula numa escola as pessoas torciam o nariz. Eu tive um trunfo muito grande, que foi quando eu entrei pra faculdade de Educação física, quando eu bati na porta, eu falei “Sou aluno da universidade Gama filho e sou o Alexandre Batata” E a Maria Ester me atendeu, eu conhecia o filho dela, que era muito meu amigo, que adorava capoeira, ela adorava capoeira, uma pessoa com a visão de educação muito mais a frente, tanto é que o próprio prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira havia estudado na escola, era uma escola da elite. E eu consegui colocar a capoeira no Colégio Bethânia, depois disso todas as outras portas se abriram e nessa época eu criei uma metodologia imitando os animais. Então eu fazia com que as crianças se transformassem em macacos, que era a base da ginga, o tigre que era a base da ginga atrás, fazia uma brincadeira deles fugirem do gavião em que todos faziam a esquiva, eu criei uma metodologia baseada no movimento dos animais e com isso vim escrevendo uma história, comecei em 2000 na casa do Contra mestre Kryptonita em Saquarema, escrevi, coloquei no computador, o computador perdeu tudo, aí escrevi, coloquei num disquete, o disquete pifou, escrevi de novo botei no computador bichou, porque eu tenho um exu cibernético, eu quando chego na frente do computador, aquele troço faz  “Iê parrei” e não funciona, tanto que agora reescrevi de novo o livro e fiz uma manha, mandei pro meu e-mail, porque o meu computador deu boot e eu perdi no computador, sorte é que eu tinha salvo, mandei pro Mestre Cid, pra mãe do Contra mestre Kryptonita, mandei pra Lílian, mandei pro meu irmão, se perder alguém tem. Essa história são umas crianças que encontram um pergaminho e nesse pergaminho eu readaptei a lenda do berimbau, que eu não sei da onde surgiu, nem sei quem me contou, mas sei que existe, que é a lenda de uma menina que caiu na água e quando encontram o corpo dela virou um berimbau, readaptei essa lenda, criei uma história, Harry Porter com Mogli e que é uma leitura que quando você vai lendo de repente você se pega dentro da história, então as crianças vivem as várias aventuras, encontram a mulher barbada, o homem gelo e o resto só lendo o livro.


(Maíra Gomes) – Por falar nisso, como está o processo de finalização dele. E para quando teremos o lançamento?

(M. Batata) – O processo de finalização é mais uma das coisas que eu digo que Papai do céu e São Bento grande gostam de mim. Eu entreguei o texto a um amigo meu que faz banda desenhada, traduzindo, histórias em quadrinho e o cara é muito bom, aí ele disse “Batata eu vou criar as personagens, você passa aqui e vê” e a primeira personagem que eu criei foi o Pedro Bala, porque eu trabalhava num projeto em Portugal com os meninos de rua e tinha um cigano lá, que eu coloquei o apelido dele de Pedro Bala, porque ele era o líder das crianças. E eu trabalhei na peça “Capitães de areia”, então aquela liderança do Pedro Bala ficou, tanto que eu mudei agora ele não é mais Pedro Bala é Pedro Índio, para não dar problema com a personagem do Jorge Amado. E quando o cara desenhou o Pedro índio parecia que ele tinha visto o Pedro Bala que me inspirou na personagem, o moleque é igualzinho. Quando ele fez a Moranguinho, ela vai ser sexy simbol da capoeira. Moranguinho é ruiva de olhos verdes. Tem o Zé Caquinha e o Chico Rolha, são os quatro personagens da história. Eu espero estar fazendo o lançamento em Abril.

(Maíra Gomes) - Fiquei sabendo que o Mestre Paraná deixou uma herança para o Mestre Mintirinha, e que essa herança será dada ao senhor em breve, do que se trata?

(M. Batata)  Isso é o seguinte, é igual a capoeira, é um patrimônio cultural e material. Essa herança que o Mestre Mintirinha disse que o Mestre Paraná me deu é que o Mestre Mintirinha me escreveu uma carta, dizendo que o Mestre Paraná quando colocou um pandeiro na mão dele pra tocar, disse “Meu menino eu vou te ensinar a capoeira, quero que você seja muito bom e você vai ter que passar isso pra alguém” e o mestre nessa carta diz pra mim que eu sou o alguém a quem ele passou que ele tem muito orgulho de mim e de eu defender essa bandeira, eu não sou angoleiro, nem sou Regional, sou capoeirista do Rio de janeiro. Então a capoeira do Rio de janeiro não é angola nem é regional. Não tenho nada contra quem é angola, quem é regional, não tenho nada contra quem é jitsu-capoeira, quem faz capoeira do amor, quem faz soma, quem faz capoeiroterapia, só fico meio “puto” quando os caras dizem que foi alguém quem inventou a hidrocapoeira, porque até isso daí é uma coisinha que... Eu, que fui o primeiro a ter um projeto de hidrocapoeira digo que eu não inventei. E os caras dizem que inventam.

(Maíra Gomes) – Vamos falar de vida pessoal: O senhor é casado? Quantos filhos? Eles seguem na capoeira?

(M. Batata)  Olha eu nem sei se eu sou divorciado, se eu sou casado, eu não tenho a mínima ideia, eu sei que meteram um processo em mim aí.    (Nesse momento a ex-esposa do Mestre interfere e diz, “você é separado”) Sou um sujeito separado atualmente, sou solteiro.(Quando eu insisto na quantidade de filhos ele brinca “Aí você me complica”) Tenho quatro filhos e só o Ícaro segue na capoeira.

 (Maíra Gomes) – O senhor já trabalhou com outras coisas além de capoeira?

(M.Batata) – Já tentei vender material de limpeza ( aos risos) fiquei dois dias no trabalho, mais nada.

* O samba citado por Mestre Batata chama-se “Poder da criação” e é da autoria de João Nogueira e Paulo César Pinheiro.

Espero que tenham gostado. Até uma próxima entrevista!
Contatos:
Mestre Batata
Email: mestrebatata@hotmail.com
Telefone: (21)82668660

Para entrar em contato com essa coluna e dar sugestões, mande um e-mail para maira.xarazinha@gmail.com e dê sua opinião.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Quando eu tava na mata...

Rio de Janeiro, Brasil

Hoje é aniversário do Mestre Alexandre Batata.

Atualmente vivendo em Portugal, Mestre Alexandre Batata é presidente/fundador da Companhia de Capoeira Contemporânea. 

Grande cantador, ele gravou seu último trabalho, Mestre Alexandre Batata Canta Capoeira ao vivo, no ano passado.

Aqui tem a entrevista completa realizada em Dezembro de 2008.

Parabéns, Mestre, pelo capoeirista completo, pela qualidade dos seus alunos e pela energia que transborda de você. 

Mestre Alexandre Bstata/ Imagem de divulgação


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mestre Paraná - Oswaldo Lisboa dos Santos

Capa do álbum do Mestre Paraná/ Arquivo do Mestre Polaco


Rio de Janeiro, Brasil

Filho de Cândido Lisboa dos Santos e Albertina Maria dos Santos, foi registrado como Oswaldo, mas foi como Paraná (Mestre) que assinou seu nome na história.

O baiano que nasceu em 25 de Setembro de 1922,  escreveu sua história com o som de seu berimbau, viajou pelo Brasil e tocou até na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Participou da peça teatral Pagador de promessas, em apresentações no Brasil e em Portugal.

Aprendeu Capoeira com Mestre Antônio Corró, ex-escravo baiano.

Nos anos 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro com sua esposa Maura Bastos, a quem cantou "Uma noite encontrei uma menina sentada no banco de uma escola, professor tava ensinado o ritmo de Angola, Maura traga por favor a pena pra mim escrever, esta linda melodia, que eu fiz para você(..)".

Com seu Conjunto Folclórico de Capoeira, São Bento Pequeno, se apresentou por várias partes do país.

Foi o único Mestre de Capoeira a possuir uma carteira da ordem dos músicos do Brasil, como tocador de Berimbau.

Mestre Paraná é também considerado Patrono do Grupo Muzenza, tendo sido o início da linhagem, pois, o fundador Mestre Paulão, foi aluno de Mestre Mintirinha que, por sua vez, foi aluno deste grande mestre.

Assim como Mestre Mintirinha, outros mestres passaram pelas valiosas mãos de Mestre Paraná, entre eles  Mestre Malhado, Mestre Denis, Mestre Bira Costeleta, que foi seu primeiro aluno, Mestre Pé de valsa, Mestre Índio, Mestre Gavião voador, Mestre Marreta e Mestre Polaco, que administra o perfil do Facebook em nome de Mestre Paraná.

Exímio tocador de berimbau, lançou um compacto em 1963 que hoje está disponível no Youtube, já que é muito difícil encontrar o LP para compra. A seguir alguns trechos:




Infelizmente seu berimbau se calou muito cedo, aos 49 anos de idade, no ano de 1972.

Essa matéria é uma sugestão do Mestre Alexandre Batata, a quem eu agradeço pelas carinhosas palavras e pela sua generosidade em contribuir para o meu trabalho.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Mestre Alexandre Batata Lança seu novo CD

Imagem de divulgação

Rio de Janeiro, Brasil

O novo trabalho musical do Mestre Alexandre Batata, presidente da Companhia de Capoeira Contemporânea, já está disponível para compra. 

Com músicas inéditas, Mestre Alexandre Batata nos brinda com o vozeirão e composições cheias de axé. Vai perder?


Vídeo de divulgação do CD, para matar a curiosidade e dar água na boca.

                          



Gostou? Quer ter o seu?  Entre em contato com o Mestre Batata pelo e-mail: mestrebatata@gmail.com ou pelo telefone (Portugal)(00351) 916828588

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