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quarta-feira, 7 de março de 2018

Coletivo feminino realiza a segunda edição do evento Desperta Mulher


Imagem de divulgação


Rio de Janeiro - Brasil


O MMIÊ - Movimento de Mulheres Iê - realiza no próximo sábado, 10 de março, o evento Desperta Mulher, em favor da igualdade de gênero e em repúdio à violência contra a mulher. 

Fruto da reunião de mulheres capoeiristas em um grupo de Whatsapp, o MMIÊ conta hoje com a participação de 85 mulheres de diferentes partes do mundo, que discutem diariamente questões relativas à Capoeira, à atuação da mulher na Capoeira e à sociedade de um modo geral.

Este ano o evento traz o tema "Gingando sobre pétalas e espinhos", que é um projeto que enaltece as histórias e trajetórias das mulheres capoeiristas. A programação prevista inclui manifestações culturais, rodas e palestras.

O Desperta Mulher acontece simultaneamente no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Tocantins, São Paulo, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Lisboa, em Portugal, e Luanda, em Angola. A proposta é ter um dia de reflexão, capaz de fortalecer essas mulheres e conscientizar os homens.


Gingando sobre pétalas e espinhos


Criado em Julho de 2017, o projeto Gingando sobre pétalas e espinhos pretende dar voz às mulheres capoeiristas, tornando público os percalços e a perseverança na caminhada dentro da Capoeira. Periodicamente a fanpage do projeto traz uma mulher aos holofotes e conta a sua história.

Como tudo relacionado à nossa arte, não existem dados oficiais sobre a participação feminina na Capoeira, ou sobre a evasão das mulheres por motivos diversos que incluem o cuidado com os filhos, a dupla jornada de trabalho, pressões sociais e o machismo existente dentro da própria Capoeira. 

Iniciativas como o MMIÊ e o projeto Gingando sobre pétalas e espinhos são extremamente importantes, pois, trazem representatividade e comprovam que aquela velha história sobre competitividade feminina não é 100% verdade. A competitividade existe, como existe entre homens e entre homens e mulheres, mas, a verdade é que nós (sim, é uma mulher quem escreve o blog) estamos aprendendo com movimentos como esses que unidas não poderemos ser subjugadas e que cada uma de nós importa. Da corda crua à Mestre de Capoeira mais antiga, todas nós temos o nosso valor e esse valor não precisa ser provado trocando tapas com outra mulher cada vez que entramos numa roda de Capoeira.

Para mais informações sobre locais e horários, entre em contato com a organizadora da sua região nos telefones disponíveis na imagem acima.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

União leva a Londres

Mulheraça tem sua primeira edição internacional





Rio de Janeiro - Brasil

Sabe aquela história que nós ouvimos a vida inteira de que a classe feminina é desunida? Pois é, 11 capoeiristas estão provando que a verdade é bem outra, a união faz a força e, nesse caso, leva a Londres.


Tudo começou em 2007, quando a Instrutora Fran, supervisionada pelo Mestre Buiú, Rede Anca, realizou a primeira edição do evento Mulheraça, em Minas Gerais. 

Feito de mulher para mulher, focado na Capoeira e na cultura popular, Mulheraça é um espaço para fazer amigos e trocar conhecimentos, independente de sotaques e bandeiras. 

O sucesso foi tanto que, após sete edições, as últimas três ocorridas em São Paulo, o evento Mulheraça arruma as malas e desembarca em Londres, Inglaterra, para mostrar que lugar de mulher é onde ela quiser. E quando ela quer, ah, meu amigo, aí ninguém segura.

Uma parceria entre grupos, algo bem pouco usual no meio da Capoeira, permitiu que o Contramestre Hiram, do Club London, levasse o Mulheraça para a Terra da Rainha nos dias 16, 17 e 18 de junho. 


Conheça as integrantes da equipe Mulheraça Brasil

Junto com a edição internacional do evento surgiu a vontade de participar desse momento tão importante e, como nada cai do céu, 11 mulheres de grupos, estados, graduações e idades diferentes foram atrás desse objetivo. São elas:

Mestranda Sinhá - Rede anca - SP
Mestranda Kelly -  Rede anca - MG
Contramestre Sereia - Capoeira Bonfim - SP
Professora Longui - Grupo Candieiro - SP
Instrutora Fran -  Rede Anca - MG
Monitora Jeanne - Capoeira Bonfim - SP
Graduada Borboleta - Casa da Iúna - SP
Graduada Fofa - Capoeira Bonfim - SP
Graduada Navalha - SP
Aluna Goianinha - Capoeira Senzala - SP

A primeira barreira encontrada foi a financeira, mas sabe como é, né, elas deram um jeitinho, se uniram, fizeram rifas, eventos, vaquinha e, mesmo longe do valor total para bancar integralmente a viagem das 11, conseguiram uma boa ajuda para realizar esse sonho.

A busca agora é por uma empresa que abrace a ideia e tope vesti-las durante os três dias. A equipe precisa de um uniforme e a contrapartida é, sem dúvidas, muito bacana. Quer ver a sua marca nos principais pontos turísticos de Londres e ainda ligada a uma iniciativa cultural genuinamente brasileira? Essa é a hora. Entre em contato no e-mail e saiba como participar.

Ah, o evento terá cobertura do Blog Capoeira de Toda Maneira e em nossas redes sociais vocês poderão acompanhar tudo o que rola por lá.

Que venha Junho, que venha Mulheraça!

Imagem de arquivo pessoal




terça-feira, 2 de maio de 2017

Entrevista

Mestre Márcia
Sangue Negro


Márcia José Vieira, Mestre Márcia, nasceu em São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, em 18 de junho de 1962. Ela foi a primeira mulher a receber o título de mestre em sua cidade, um grande feito para quem,  na década de 1980, era uma das poucas meninas a frequentar rodas de Capoeira. 
Mesmo a contragosto de sua mãe e enfrentando o machismo presente na Capoeira, Mestre Márcia seguiu seu caminho, "Durante algum tempo era apenas eu em meu grupo. Me tratavam como uma peça intocável, mas quando eu acertava alguém, o atingido parecia que ia morrer por ter sido atingido por uma mulher.", contou. De posicionamentos bem definidos, Mestre Márcia também faz parte da Liga Gonçalense de Capoeira como tesoureira e é dirigente de uma escola de Samba. Achou pouco? Então vem conhecer a história dela mais de perto.

*A entrevista a seguir foi realizada em Abril de 2017 e é inédita e exclusiva do Blog Capoeira de Toda Maneira 


(Maíra Gomes) - Como a senhora começou na Capoeira?



(Mestre Márcia) - Comecei capoeira em 1980, no grupo Modelo Cultural Kikongo, com o Mestre Machado. Ele afirma que comecei no final de 1978, então, eu tinha 16 ou 17 anos.

(Maíra Gomes) - Sua família reagiu bem, te incentivaram?

(Mestre Márcia) - Minha mãe nunca disse para eu não fazer capoeira, mas não gostava. Nunca assistiu um treino, foi apenas a uma apresentação no teatro porque minhas tias disseram para ela que se elas iriam como tias, porque ela  como minha mãe não? Nunca esteve no espaço onde dou aula desde 1988 (minha mãe em memória). Tive o apoio de todos os meus irmãos, somos 10, só eu fazia capoeira até eu começar a dar aula. Hoje tenho vários sobrinhos, primos e etc. Nem todos comigo treinam comigo.

(Maíra Gomes) - Como foi sua caminhada até a fundação da Associação Sangue Negro?

(Mestre Márcia) - Não foi fácil. Durante algum tempo era apenas eu em meu grupo. Me tratavam como uma peça intocável, mas quando eu acertava alguém, o atingido parecia que ia morrer por ter sido atingido por uma mulher. Aí finalmente surgiu outra, juntas fomos ganhando espaço e os rapazes devagar começaram a aceitar mais quando eram atingidos. Isso dentro do meu grupo, mas nem sempre. Em roda fora baixava o desespero nos mestres quando eu atingia seus alunos. Era difícil admitir que a única mulher na roda poderia atingir um dos machões. Foi bastante tempo de só eu em rodas, dificilmente apareciam outras, mas sobrevivi. As coisas hoje não mudaram muito, os homens ainda acham absurdo ser atingido por mulher, muitas vezes é um deus nos acuda.

(Maíra Gomes) - A senhora foi a primeira mulher a ser formada mestre em São Gonçalo, um grande incentivo para outras mulheres, tendo a senhora como espelho, uma referência. Quem foi a sua referência feminina na Capoeira?

(Mestre Márcia) - Vi apenas três mulheres na primeira vez que vi uma roda de capoeira. Não chegou a ser uma referência, pois, não foram elas que me levaram a praticar capoeira, nem tive contato com elas. Raramente as vejo, uma até parou. Mas com certeza sou a referência de muitas mulheres.

(Maíra Gomes) - Porque decidiu fundar um grupo?

(Mestre Márcia) - Passei 7 anos na Kikongo. Saí de lá professora. Tive problemas com o meu mestre, o que me rendeu uma expulsão. Para não parar eu fui incentivada por amigos que queriam treinar comigo. Comecei a dar aula, fui parar em um grupo, ficando pouco mais de dois meses. Assim cheguei ao Mestre Chita, que tinha o grupo "Filhos de Omulú". Surgiram outros problemas, meus alunos eram na maioria de famílias católicas, então, conversei com o Mestre Chita e assim, numa  gincana entre meus alunos, surgiu o nome "Sangue Negro". Tenho o apoio até hoje do Mestre Chita e do mestre que me expulsou, Mestre Machado.

(Maíra Gomes) - Qual foi o maior desafio nesses anos de capoeira em um ambiente majoritariamente masculino, sentiu algum tipo de preconceito? 

(Mestre Márcia) -  O preconceito sobre a mulher capoeirista é demais. Meus alunos são cantados a todo momento e sempre escutavam "Vai ficar treinando com mulher". Recentemente tive um mal estar com um mestre, pois um rapaz que treinava com ele resolveu treinar comigo. Nossa, ele perdeu a compostura, ficou feia a coisa. Venho passando por situações assim desde que comecei a dar aula. É "osso", só gostando muito mesmo!

(Maíra Gomes) - O que a senhora pensa sobre os diversos sistemas de graduação existentes da capoeira? A graduação deveria ser padronizada para todos os grupos? 

(Mestre Márcia) - Eu gostaria que todos tivéssemos o mesmo sistema de graduação. Acho que enquanto isso não mudar, as pessoas que não se importam com a Capoeira vão continuar desvalorizando este esporte tão bonito e as autoridades chamando de bagunça. Eu uso o sistema da Confederação, colocando algumas pontas para ganhar tempo com os alunos.

(Maíra Gomes) - O que influencia mais na permanência da mulher na capoeira?

(Mestre Márcia) - As mulheres se entregam a Capoeira quando estão sozinhas, sem marido, namorado, nenhum relacionamento. Ou entram para a Capoeira exatamente para conquistar alguém. Por mais que gostem, acabam se afastando por começarem a ter problemas em sua relação, assim a Capoeira normalmente perde. Claro, existem exceções.

(Maíra Gomes) - A senhora é tesoureira da Liga Gonçalense de Capoeira. Como surgiu o convite para fazer parte da Liga?

(Mestre Márcia) - Eu sempre tive o convite para fazer parte da Liga, mas não queria. Apenas nesta gestão resolvi participar, mas já penso em sair. São muitos problemas e nada de verbas. Sem verbas, sem trabalho, mas os problemas surgem, não vale a pena tantas perturbações. 


(Maíra Gomes) - Qual a sua principal característica como educadora?

(Mestre Márcia) - As crianças costumam gostar de mim. Eu sou de tudo um pouco, canto, brinco, danço, conto da história, toco pandeiro, berimbau, atabaque, me divirto com eles. Porém, elas brigam, batem uma nas outras, mordem, sobem nas coisas, entre outras coisas que acontecem, aí Tia Márcia briga, as vezes coloca sentadinhas, mas não demora estamos nos beijando, nos abraçando, assim tudo é festa. Nos piores momentos da minha vida, entre elas a morte de minha mãe, foram eles que me ajudaram a superar, acho até que evitaram a minha depressão.

(Maíra Gomes) - Queria que a senhora contasse um pouco sobre a sua relação com o Carnaval:

(Mestre Márcia) - Eu sou dirigente de uma Escola de Samba, a G.R.E.S. Arco Íris do Boaçu, que é dirigida por sete mulheres, eu e mais 6 irmãs. É uma adrenalina gostosa colocar a escola na avenida, não tenho explicação. O que a Capoeira e o carnaval tem em comum? A alegria e o fato de eu não conseguir ficar longe dos dois.

Contato

Imagem de arquivo pessoal

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Entrevista

MESTRE CLEIDE

Grupo Terra



Maria Cleide Tomaz Duarte nasceu em 28 de agosto de 1968, no Ceará, mas foi no Rio de Janeiro que encontrou sua morada ainda criança. 
Mestre Cleide fundou o Grupo Terra junto com seu Mestre e marido, Mestre Mintirinha.
Desde 94 na Capoeira, a mestre acredita no sistema de graduação criado por Mestre Mendonça como uma forma de organização, "Não me vejo no direito de bagunçar o que está direito.", contou.
Apesar de já ter enfrentado situações no mínimo desrespeitosas por ser mulher num ambiente majoritariamente masculino, Mestre Cleide acredita na delicadeza como arma para dissolver situações discriminatórias e foi assim, com toda a delicadeza que lhe sobra, que ela nos acolheu desde o primeiro contato, gentil e disposta.

*A entrevista a seguir foi realizada em Abril de 2017 e é inédita e exclusiva do Blog Capoeira de Toda Maneira

(Maíra Gomes) – Como a senhora começou na Capoeira?

(Mestre Cleide) – Vi uma apresentação na rua e gostei. Procurei o responsável pelo grupo na época e me matriculei. Treinei por um ano, peguei a primeira graduação. Mestre Mintirinha foi meu padrinho, nos conhecemos nesse grupo.

(Maíra Gomes) – Há alguns anos, quando entrevistei o Mestre Mintirinha aqui para o blog, ele me contou que quando vocês se conheceram eram de grupos diferentes e que ao ficarem juntos decidiram criar o Grupo Terra. Foi isso mesmo? Conta como foi essa decisão e o que influenciou na sua trajetória como Capoeirista.

(Mestre Cleide) – O “Mintirinha” tinha um desenho de um tronco em forma de berimbau e me disse que queria fundar um grupo chamado Terra e que deveria ter aquele símbolo. Gostei do desenho, gostei dele e nos conhecemos melhor. No ano de 94 fundamos o Grupo Terra e nos casamos.

(Maíra Gomes) – Como foi sua caminhada até a fundação do Grupo Terra?

(Mestre Cleide) – Comecei em 92 depois de ter visto uma apresentação na rua. Fiquei encantada e fui buscar onde era aquele grupo. Me matriculei e comecei a treinar lá por um ano. Tive um desentendimento com outra integrante do grupo, saí e fui treinar em outro grupo, mas fiquei pouco tempo, pois, logo Mintirinha e eu inauguramos o Terra. Então, todas as outras graduações vieram do Mestre Mintirinha.
Em 2010 recebi minha graduação de mestre. Na verdade, relutei um pouco, pois eu não tinha a intenção de chegar a tanto. Sempre pratiquei capoeira por gostar mesmo dos toques, da ginga e todo o conjunto, não por graduação. Eu as recebia pelo tempo que tinha e pela dedicação. Desde quando era cordel amarelo já ensinava as crianças do grupo e até hoje esta responsabilidade é minha – Ninguém quer essa responsabilidade, dizem não terem paciência –. O Grupo Terra foi fundado em 94, hoje temos mais ou menos uns dez mestres formados, três filiais e diversos alunos já passaram por nosso grupo. Espero que continuemos com esse trabalho. Enquanto eu tiver forças e conseguir gingar vou tentando. Quando não der mais, sigo cantando!

(Maíra Gomes) – A senhora acha que as graduações da Capoeira deveriam ser padronizadas para todos os grupos?

(Mestre Cleide) – Sim. As outras lutas que seguem graduação, são únicas, porque na capoeira deve ser diferente? Eu uso a graduação de cordéis nas cores do Brasil. A mesma que foi criada por Mestre Mendonça, falecido a pouco. Mas cada um faz o que bem entende. Para mim é uma pena, pois, assim perde-se a organização, que não temos. Fica difícil identificar um mestre que usa graduação diferente. Se fosse padrão, não teríamos essa dificuldade. Cada um deve ter seu motivo para criar suas graduações, mas continuarei com a que uso desde quando iniciei na capoeira, por respeito ao trabalho daqueles que trabalharam para padronizar as graduações. Não me vejo no direito de bagunçar o que está direito.

(Maíra Gomes) – A senhora trabalha com Capoeira, tem outra ocupação?

(Mestre Cleide) – Sou pedagoga, trabalho em um colégio que tem da educação infantil até o terceiro ano do ensino médio. Sou auxiliar de coordenação. E, as terças e quintas, dou aula para as crianças no Grupo Terra.

(Maíra Gomes) – O que o título de mestre significa para a senhora?

(Mestre Cleide) – O título significa para mim uma conquista. Anos de dedicação a essa arte que tanto amo praticar. Significa ser exemplo, respeitar as diferenças e fazer a diferença na vida de alguém.

(Maíra Gomes) – A Capoeira tem muito mais homens mestres do que mulheres nessa mesma graduação. O que a senhora acha que é possível fazer para incentivar a permanência da mulher na capoeira?

(Mestre Cleide) – Nós estamos conquistando nosso espaço nas artes marciais com mais rapidez agora. Hoje se vê muitas mestres, fico feliz com esse avanço. Somos tão boas quanto qualquer homem.

(Maíra Gomes) – A senhora já enfrentou algum tipo de discriminação por ser mulher dentro da Capoeira? Se sim, como lidou com isso?

(Mestre Cleide) – Sim, já tomaram o berimbau da minha mão. Já esqueceram de me apresentar como mestre, pois estava em uma roda que só tinha mestres homens. Mas levo sem problemas. Vou conquistando meu espaço com meu jeito delicado, sem brigar, vou em uma roda, peço para tocar um instrumento, entro na roda jogo sem atacar ninguém. Procuro fazer amigos, sempre fui assim. Nunca gostei de estragar roda de ninguém, para ninguém estragar a minha.

(Maíra Gomes) – Qual a sua visão sobre a Capoeira hoje e como espera que ela esteja em 20 anos?


(Mestre Cleide) – A capoeira está sofrendo muito rápido transformações. Muitas graduações, muitos mestres, atletas muito bem preparados, mas perdeu um pouco os momentos em que ia-se visitar um amigo em sua roda, onde nós íamos para jogar capoeira, sem rivalidade, para trocar ideias, ouvir os mestres mais velhos. Hoje tem roda de mês é um quebra-quebra, todo mundo querendo matar todo mundo. Não tenho mais idade para trocar socos com ninguém. Prefiro hoje ficar em meu canto. Todos os sábados fazemos roda. Todos que quiserem podem aparecer, mas para jogar capoeira, quem quiser brigar que vá procurar outro lugar. Zelamos pela integridade física dos nossos alunos.


Imagem de arquivo pessoal

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

MMIE realiza seu primeiro evento simultâneo

Desperta Mulher acontece em sete cidades ao mesmo tempo




Rio de Janeiro - Brasil




Capoeiristas se reúnem para conversar num grupo de Whatsapp, normal, não é? Sim, muito normal. A maioria de nós participa de ao menos um grupo no Whatsapp que tem como proposta falar sobre Capoeira e temas relacionados ao cotidiano dentro do esporte. 


No final de maio de 2016 foi criado o MMIE - Movimento de Mulheres Iê, um grupo de Whatsapp que, como o próprio nome sugere, é composto apenas por mulheres. O objetivo era o mesmo de todos os outros grupos formados por capoeiristas, porém, um outro assunto, infelizmente muito corriqueiro, acabou extrapolando o virtual e se tornando motor na criação de um evento que acontecerá simultaneamente em diversos pontos do globo, a violência contra a mulher.


Motivadas a tratar do assunto numa esfera mais ampla, surgiu o Desperta Mulher, evento que em sua primeira edição ocorrerá em cinco estados brasileiros e em mais três países, no continente africano e europeu, ao mesmo tempo.

Na programação está prevista uma mesa redonda com convidados, roda de capoeira e apresentações culturais.

As representantes do movimento, Graduada Manu Brasil, de Niterói - RJ, e Professora Fênix, do Rio de Janeiro/RJ, acreditam na parceria com os homens nessa inciativa, assim sendo, apesar do nome sugestivo, não há uma restrição para a participação deles no evento, pelo contrário, eles são bem vindos, afinal, é preciso contaminar a sociedade com a ideia de que a violência contra a mulher, em especial, é inaceitável.



Dados da OMS, Organização Mundial de Saúde, apontam que ao menos 35% das mulheres já sofreu algum tipo de violência física ou sexual em algum momento da sua vida, praticada por parceiro íntimo ou não-parceiro. 


No Brasil, 70% da população feminina sofre ou sofreu violência física/sexual praticada por parceiro íntimo.

A violência sexual é geralmente praticada por pessoas próximas à vítima, como os atuais ou ex-parceiros (namorados, companheiros, maridos).

Mulheres e meninas representam cerca de 70% das vítimas de tráfico humano no mundo. 


Estima-se que metade das vítimas de feminicídio, homicídio cometido contra a mulher, foi morta por parceiro ou membro da família.

Apesar do peso desses números, as vítimas não tem um rosto ou perfil específico, toda mulher pode vir a se tornar estatística e por isso é tão importante falar sobre esse assunto. 

Serviço:



Desperta Mulher - 12 de março de 2017

10h - Mesa redonda com convidados
Tema: Violência contra a mulher

11h - Roda de Capoeira

13h - Encerramento com manifestação cultural


Brasil


- Rio de Janeiro/RJ


Boulevard 28 de Setembro, 382. - Vila Isabel - Rio de Janeiro/RJ


(Quadra da Vila Isabel)

Contatos: (21) 97625-6782 - Prof. Fênix
                (21) 99094-5368 - Grad. Manu 


- Volta Redonda/RJ


Memorial Zumbi e Memorial Getúlio Vargas - Vila Santa Cecília. Volta Redonda/RJ


Contato: (24) 98135-7154 - M. Arara Durões



-  Palmas/TO

Centro de Direitos Humanos, 306 Sul, Alameda 04. - Plano Diretor Sul. Palmas/TO


Contato: (63) 8457-7915 - Prof. Val Brandão


- Timon/MA

Rua Oito. - Parque Alvorada - Timon/MA

Quadra de esporte Adailson Pinho de Oliveira

Contato: (86) 9863-8420 - Prof. Doçura


Moçambique

- Maputo

Avenida Friedrich Engels. - Miradouro do Caracol. Maputo/Moçambique.

Contato: (258) 82415-2247 - Prof. Moçambique.


Angola



- Luanda



Rua Direita da Samba. Calçadão da Samba. Luanda/ Angola

Contato: (244) 92881-2821 - Morinesa


Portugal


- Lisboa

Av. Duque de Loulé 50 A. 2795. - Linda-a-Velha. Lisboa/ Portugal
Kalorias LV
Contato: (351) 93661-0949 - Formada Parafina



Fonte: http://www.compromissoeatitude.org.br/alguns-numeros-sobre-aviolencia-contra-as-mulheres-no-mundo/


Imagem de divulgação

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Nossa história: Aqualtune - Princesa escravizada

Imagem do google


Filha do Rei do Congo, Aqualtune liderava um exército quando foi feita prisioneira. Após sua derrota na Batalha de Mbwila, a cabeça de seu pai foi cortada e exposta em uma igreja, enquanto ela foi vendida como escrava.

Aqualtune sofreu violência sexual numerosas vezes durante a torturante viagem e já chegou grávida em Recife/PE. Não há confirmação se a gravidez foi fruto de um dos estupros, ou se Aqualtune já teria embarcado grávida no Tumbeiro.

No Engenho de açúcar, em Porto Calvo, Aqualtune ouvia histórias sobre a resistência negra.

Antes mesmo de dar a luz, a princesa arquitetou sua fuga e foi seguida por outros escravos do Engenho. Chegando ao Reino de Palmares, foi reconhecida sua linhagem e dada a ela a liderança, sendo assim criado o Quilombo de Palmares.

Aqualtune deu a luz a figuras ilustres como Sabina, mãe de Zumbi dos Palmares, Ganga Zumba e Ganga Zona, que se tornaram líderes no Quilombo. Uma linhagem destinada a reinar!



Fonte:

SCHUMARER, Schuma; BRAZIL, Érico Vital.O Dicionário mulheres do Brasil. 2 ed. Rio de Janeiro. Zahar Editora. 2000




segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Mulheres que (en)cantam: Graduada Thati


A entrevistada de hoje é do Rio de Janeiro, mas vive atualmente no Espírito Santo, em Bom Jesus do Norte. Thatiany Nascimento, ou Graduada Thati tem 25 anos, 10 deles dedicados a Capoeira.

Para a integrante do grupo Cultuarte Capoeira o começo não foi fácil "Meu próprio professor sempre relembra que ele pensou o que ia fazer comigo, pois eu fazia tudo errado, toda torta, toda dura, nunca tive facilidade.", contou.

Se a Graduada Thati sentiu dificuldades na Capoeira, para cantar o processo foi natural e começou junto com as primeiras gingas.

Vamos conhecer mais um pouquinho desse talento?





(Maíra Gomes) - Como conheceu a Capoeira? 

(Graduada Thati) - Conheci a capoeira através das rodas que meu professor, Mestrando Cavadeira, realizava geralmente aos domingos, na praça da cidade de São José do Calçado/ES. Ficava encantada com os movimentos, com as músicas e com a energia que os capoeiristas transmitiam na roda e ao público em redor. Me apaixonei pela capoeira, mas fiquei durante muito tempo, só indo olhar as rodas, dificilmente perdia uma, nos treinos, na quadra do colégio para ver as aulas, pois tinha muita vergonha de chegar no professor e pedir para treinar. Até que um dia, com desculpa de levar minhas irmãs mais novas para treinar, enfim conversei com o professor, que na mesma hora me deu uma bolsa de um mês e exigiu que eu já começasse a treinar. E assim, em dezembro de 2004 começou minha trajetória na capoeira.. 

(Maíra Gomes) -Quando começou a cantar? 

(Graduada Thati) - Comecei a cantar assim que comecei a praticar a capoeira. Até então, a 1° e única coisa que tive facilidade no início, foi cantar. Ficava atrás do professor e dos colegas de treino sempre quando acabavam os treinos para aprender músicas, e logo já queria cantar na roda.

(Maíra Gomes) -Quem é sua referência em termos de canto nas rodas de capoeira? 

(Graduada Thati) - Carolina Soares

(Maíra Gomes) -Você compõe? 

(Graduada Thati) - Ainda não, mas pretendo. Estou tendo muito apoio de me esposo (Professor Marreta), que é compositor, e de amigos para compor.

(Maíra Gomes) -Qual a sua música favorita e de quem é? 

(Graduada Thati) - Gosto de várias músicas, mas citarei a música Eu não vou desistir!, de composição do meu esposo (Professor Marreta), música esta cantada por mim neste vídeo, que retrata a vida real de muitos capoeiristas que passam, estão passando ou passaram por algum momento de dificuldades, mas que nunca desistem! Acho que muitos se identificarão com a letra e mensagem passada.

(Maíra Gomes) -Você acha que existe resistência dos homens em relação a mulher cantar e tocar na roda? 

(Graduada Thati) - Sim, ainda existe resistência. Geralmente quando pedimos para tocar e cantar, "alguns" homens nos subestimam, às vezes com um simples olhar,de desprezo mesmo, mas isso não me intimida e mostro o porque das mulheres terem conquistado o espaço dentro da capoeira. A mulher tem o mesmo poder de passar um axé gostoso pra roda, acho lindo ver uma mulher cantando bem, tocando um instrumento bem tocado, comandando uma roda de capoeira.

Vamos ouvir a Graduada Thati cantando a música Eu não vou desistir!




Conhece alguma mulher que (en) canta? Manda a sugestão para maira.xarazinha@gmail.com, será um prazer mostrar esse talento para o mundo. Até a próxima!

domingo, 1 de março de 2015

Semana da mulher



O mês de março é o mês que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, e é preciso mostrar que mais do que um "enfeite", as mulheres ajudam a escrever a história da nossa arte. 
Muitas vezes ouço que não há preconceito em relação ao sexo feminino na roda de capoeira e tive um professor que dizia"Quando veste o abadá não tem mais sexo" e eu concordo, apesar de perceber que muitas mulheres não fazem sua parte para que sejam parte integrante de uma unidade e não a exceção de uma regra.
A Capoeira abriu as portas para a mulher, mas os Capoeiristas muitas vezes não as enxergam como iguais e é até preciso um momento específico na roda de Capoeira para que elas joguem. Eu não concordo e me abstenho de participar, porque acredito que a capoeira liberta e deve libertar também do preconceito e da "proteção". Ora, sexo frágil?! Faz tempo que não somos e nem podemos ser frágeis. Contribuímos com as despesas da casa e muitas vezes até sustentamos nossas famílias. Enfrentamos jornadas duplas e até triplas de trabalho, sem descuidar da vaidade e da paixão pela Capoeira. 
Para as mulheres é um pouco mais difícil, porque a família é sempre prioridade, por mais amor que se tenha, nem todas conseguem levar em paralelo uma vida de Capoeirista, principalmente se o marido, namorado ou companheiro não for do meio. É difícil compreender que sua mulher saia numa sexta a noite para roda, que passe o final de semana em um evento. 
E infelizmente ainda vivemos numa sociedade machista, onde as tarefas não são divididas de maneira justa. 
Acredito nos eventos femininos somente quando há um espaço para discussão, para buscar o conhecimento e principalmente para nos unir em prol de uma causa maior. Reunir um monte de mulher só pra trocar pernada, não vejo porquê. A mulher tem que estar no ritmo, no canto, no jogo e no comando. Buscando seu espaço e não é segregando que se integra.
Essa semana vamos falar das mulheres de ontem e de hoje e mostrar que até nas músicas cantadas nas rodas há uma discriminação velada, que mostra a figura de uma mulher companheira, feminina, mas não uma guerreira, como de fato somos. Acima de tudo Capoeirista!
Não é por ser mulher, é por uma questão de justiça.
Aproveitando o tema, recomendo a vocês o CD "'O canto feminino" da ABADÁ-Capoeira. Gravado em Julho de 2010, é inteiramente cantado por mulheres







segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mulheres que (en)cantam: Instrutora Eleguá


É da cidade maravilhosa, Rio de Janeiro, que vem a nossa convidada de hoje, a Instrutora Eleguá, do Centro Cultural de Capoeira Awo Àiyé.

A carioca de 27 anos se dedica a Capoeira há duas décadas e tem um vozeirão que inspira quem está na roda.

Não é só uma voz bonita, afinada e potente, o que impressiona é a forma como ela dá sentido aos versos das músicas de forma tão verdadeira.

Enquanto não sai o primeiro CD de seu grupo, onde todos poderão atestar o que estou falando, vamos conferir a entrevista que ela deu aqui para o Blog.






(Maíra Gomes) - Como conheceu a Capoeira?

(Instrutora Eleguá) - Conheci a capoeira aos 6 anos de idade no mesmo lugar onde eu fazia teatro na época. E quando vi me apaixonei e de lá pra cá nunca mais parei.

(Maíra Gomes) - Quando começou a cantar?

(Instrutora Eleguá) - Sempre gostei da musicalidade da capoeira, mas cantar mesmo por volta de uns 13, 14 anos. Sempre tive forte ligação com o ritmo e gostava muito. Então comecei a cantar e também dominar o berimbau, pois até então eu tocava mais atabaque.

(Maíra Gomes) - Quem é sua referência em termos de canto nas rodas de capoeira?

(Instrutora Eleguá) - Eu costumo ouvir de tudo um pouco, mas meu querido amigo Mestre Toni Vargas sempre foi uma grande inspiração. Não só pela voz firme, mas pela emoção que transmite.

(Maíra Gomes) - Você compõe? Se sim, como é o seu processo de criação?

(Instrutora Eleguá) - Componho sim, inclusive meu Mestre Dedinho e eu já estamos na preparação de um CD. Eu sou muito emoção quando o assunto é musicalidade na capoeira, então vem a inspiração e eu componho. Já acordei no meio da noite pra pôr no papel algumas cantigas. Adoro escrever, mas sou um tanto critica com minhas letras.

(Maíra Gomes) - Qual a sua música favorita e de quem é?

(Instrutora Eleguá) - Pergunta difícil. Tem várias cantigas que eu adoro e que em algum momento teve um significado em minha vida, mas o hino do meu grupo, que eu fiz em conjunto com meu mestre, mexe com meu coração. Risos

(Maíra Gomes) - Você acha que existe resistência dos homens em relação a mulher cantar e tocar na roda?

(Instrutora Elequá) -Não são todos, alguns incentivam e gostam, mas ainda em alguns lugares eu creio que exista sim uma certa resistência. Porém, eu sou de me impor em algumas situações e não aceito essa diferença. Pego o berimbau canto e mostro que sou mulher, mas não deixo a desejar em comparação a homem nenhum, afinal, também sou capoeirista. Meu mestre também incentiva muito e aqui não acontece essa diferença, pelo contrário.

Vamos ouvir?






segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Mulheres que (en)cantam: Monitora Fran


Nossa convidada de hoje é mineirinha, de sotaque gostoso de ouvir, sorriso fácil e vozeirão de arrepiar. Essa é a Monitora Fran, 28 anos, de Boa Esperança, Minas Gerais.

Com 15 anos de Capoeira, ela é uma das organizadoras do evento Mulheraça, da Rede Anca - Núcleo Agbaiyê, que acontece em Biritiba Mirim, São Paulo.

Sem dúvidas 2013 foi o ano dela. Monitora Fran foi campeã do Festival da Música da Rádio Iúna e ficou em terceiro lugar no Troféu Revista Capoeira.

Com esse currículo só ficou faltando você conhecer a nossa convidada. Vem comigo!







(Maíra Gomes) - Como conheceu a Capoeira?

(Monitora Fran) - Em uma escola perto do meu bairro.

(Maíra Gomes) -Quando começou a cantar?

(Monitora Fran) - Desde minha segunda corda mais ou menos. Meu Mestre sempre me deu abertura dentro das rodas pra poder cantar.


(Maíra Gomes) -Quem é sua referência em termos de canto nas rodas de capoeira?

(Monitora Fran) - Mestre Toni Vargas e Mestre Buiu.

(Maíra Gomes) -Você compõe? Se sim, como é o seu processo de criação?

(Monitora Fran) - Sim. Ah, saio escrevendo sobre o que vivi nos eventos de capoeira, ou nas rodas que vou e depois trabalho em cima da letra que escrevi.

(Maíra Gomes) -Qual a sua música favorita e de quem é?

(Monitora Fran) - "Vadiá,vadeia" de autoria do Mestre Buiu. Estará no próximo CD do núcleo Agbaiyê, previsto para sair em março 2015.


(Maíra Gomes) -Você acha que existe resistência dos homens em relação a mulher cantar e tocar na roda?

(Monitora Fran) - Sim ainda existe, mas resisto e encaro de frente. Eu canto e toco na roda porque temos que procurar ser completos, se não estiver jogando ou batendo palmas, temos que estar tocando ou cantando. Procuro sempre passar uma boa energia com boas cantigas que se encaixem  em cada
situação da roda.

Vamos ouvir? Monitora Fran com música autoral - "Essa arte me encanta".







segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Mulheres que (en)cantam : Instrutora Xica



Saquarema é uma cidade da Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro. A cidade é famosa pelas ondas perfeitas que atraem surfistas do mundo todo e pela bela igreja de Nossa Senhora de Nazaré situada no alto de uma pedra. E é em Saquarema que mora a Instrutora Xica, nossa primeira personagem.


No Rio de Janeiro Instrutora Xica já é conhecida pela voz e pelo axé que imprime em cada cantiga Agora é a hora de você conhecer um pouco mais do talento dessa carioca de  32 anos sendo 19 deles dedicados a Capoeira.







(Maíra Gomes) - Como conheceu a Capoeira?


(Instrutora Xica) - Conheci a capoeira na escola quando tinha 13 anos. Fizeram uma apresentação e aquela energia que não consigo explicar me contagiou.


(Maíra Gomes) -Quando começou a cantar?

(Instrutora Xica) - Meu primeiro mestre, Mestre Chico City, incentivava todos os alunos com o canto e eu por ser muito tímida e a única aluna mulher, tinha que impor a voz pra que me ouvissem cantar. Claro que isso foi um processo de dois a três anos até eu puxar um canto sozinha.


(Maíra Gomes) - Quem é sua referência em termos de canto nas rodas de capoeira?

(Instrutora Xica) -Quando comecei minhas referências de vozes vibrantes, de me arrepiar, eram do Mestre Naval e Efraim. Estar em uma roda com eles era certeza de satisfação garantida. Hoje temos muito mais acessos a CD´s e sem dúvida Mestre Toni Vargas também é uma referência muito presente.


(Maíra Gomes) - Você compõe? Se sim, como é o seu processo de criação?

(Instrutora Xica) - Não componho. Mas quando tento até saem umas palavras bonitas, mas nada que eu vá cantar em roda, ainda sou muito insegura (risos).


(Maíra Gomes) -Qual a sua música favorita?

(Instrutora Xica) -Não tenho uma favorita. Gosto de várias.


(Maíra Gomes) -Você acha que existe resistência dos homens em relação a mulher cantar e tocar na roda?


(Instrutora Xica) - Resistência? Não sei se chamaria assim. Digo por experiência, Quando eu insisto em cantar, peço permissão ao Mestre e se o mesmo nunca me ouviu acho que rola aquele deboche, tipo "vai, canta aí!" Daí que canto com mais vontade ainda (risos).

A mulher tem que se impor. Se acha que se garante tocando, cantando ou jogando, se imponha!
Daí começa a vir o respeito dos homens e de todos. Infelizmente não tenho referências femininas no canto, mas postura de jogo e toque graças a Deus hoje eu tenho.

Chega de conversa, vamos ouvir a Instrutora!



segunda-feira, 31 de março de 2014

Machismo e sociedade - Texto Opinativo

No último dia  de março, mês em que comemoramos o dia Internacional da Mulher, te convido a uma reflexão.

Durante o mês de março se tornou pública uma prática nojenta que vem ocorrendo nos transportes públicos, a encoxada. A prática vem sendo coibida e o resultado é de 17 suspeitos presos em São Paulo, até o dia 20 desse mês. Leia mais 

Na semana passada foi divulgada uma pesquisa, que teve como resultado a triste constatação da sociedade machista em que vivemos. Nela, 55% dos entrevistados afirmaram que “se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros” e 42% das pessoas acreditam que a mulher é culpada pela violência sexual”.
Em relação a violência doméstica, 63% acredita total ou parcialmente que a violência doméstica deve ser discutida apenas entre os membros da família, 89% afirma que "a roupa suja deve ser lavada em casa” e 82% que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, o que, obviamente, exclui a possibilidade da mulher denunciar o marido agressor. Leia mais

A tolerância com a violência contra a mulher é apenas um reflexo da sociedade machista e patriarcal que vivemos. 

No meio disso tudo você pensa, "Por que ela tá falando disso num Blog de Capoeira?" Eu respondo, a maior parte dos meus leitores é homem, a maior parte dos Capoeiristas é homem e o machismo se revela o tempo todo nas rodas de Capoeira.

Quando uma mulher é elogiada, reconhecida como uma grande capoeirista é comum ouvirmos que "ela joga igual homem", como se a única forma de uma mulher jogar bem capoeira e se destacar, fosse se masculinizando. 
É comum ter um momento na roda separado para as mulheres jogarem entre si, o que pra mim é como se você me dissesse que eu só posso jogar naquele momento. Até com eventos femininos eu tenho minhas reservas. Aceito melhor os que são organizados pelas próprias mulheres e conduzidos por elas, pois assim atendem os interesses delas.

Há muitos anos atrás assisti uma palestra no evento de um grande grupo, que não irei citar o nome. A palestrante dizia que muitas mulheres iam para Capoeira se exibir para os homens. E que faziam isso usando tops e calças justas. Sob essa ótica me vem a questão, os homens estão se exibindo para as mulheres quando treinam sem camisa? Eu realmente não entendo esse tipo de colocação, ainda mais quando vem de uma mulher.

Aos poucos nós estamos conquistando espaços diferentes, os CD´s gravados apenas por mulheres, como fez Carolina Soares e as meninas da ABADÁ-Capoeira, são exemplos disso. Compreendo que gosto não se discute, ninguém é obrigado a gostar, mas reconhecer um trabalho bem feito e respeitar esse trabalho é uma questão de justiça.

O número de mestres do sexo feminino ainda é nitidamente inferior ao de mestres do sexo masculino.
Os pontos são muitos e passam também pela falta de reconhecimento, pela falta de pesquisas especializadas sobre a participação da mulher na Capoeira, as dificuldades que as mulheres encontram para continuar frequentando os treinos, rodas e eventos após o nascimento dos filhos e muitas outras coisas.

Solução para o problema eu não tenho, o que eu proponho é uma análise simples nas nossas atitudes e uma coibição de comportamentos machistas em nossos locais de treino e na nossa vida particular de uma forma geral.

Se nada mudar, ao menos sei que tentei.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Vídeos novos no canal

Estava mexendo nos meus arquivos e encontrei vídeos e fotos de eventos que não chegaram a ser divulgados. Na segunda-feira publiquei os vídeos que eu fiz no evento feminino da ABADÁ-Capoeira de 2011. Vem conferir!
















quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Mulheraça chega a São Paulo



De 27 a 29 de Setembro as cidades de Biritiba Mirim/SP e Salesópolis/SP sediam o Encontro Nacional Feminino Mulheraça.
Organizado pela Graduada Fran com a supervisão do Mestre Buiú, do núcleo Agbaye - Rede Anca.
Mulheraça está em sua 5ª edição e já  foi realizado nas cidades de Boa Esperança/MG e Varginha/MG. Esse ano é a vez do Estado de São Paulo receber a mulherada para cursos, palestras e rodas. 
O evento reunirá capoeiristas de todo o Brasil, com o intuito de promover a união e o aprendizado. Estão confirmadas Mestranda Kelly/MG (Anauê - Rede Anca), Contramestra Juliana/MS (Memória), Contramestra Karine/DF(Ave Branca), Contramestra Sereia/SP(Bonfim Capoeira), Professora Dani/SP (Naturarte), Professora Sinhá/SP (Abaeté - Rede Anca), Instrutora Michele Malagueta/SP (Zungu - Rede Anca), Instrutora Laís/MG (Jireh), Instrutora Malagueta/RJ (Iê capoeira), Instrutora Iuna/SP(Bonfim Capoeira), Instrutora Aline Longui/SP (Água de Beber), Instrutora Bombom/MG (N´Guzu - Rede Anca), Graduada Neve/ES (Luandangola), Graduada Tigrona/PR (Ação Capoeira), Graduada Fernanda/MG (Abgaiye - Rede Anca),  Graduada Rejane/DF(Candeias), Graduada Leinha/SP(Herança Cultural). Os  Mestres Buiu (Agbaiye), Kaco (Zungu), Luck (N'Guzu), Batateiro (Anauê) e Franja (Abaeté), assim como os Professores Zula/SP (Bonfim Capoeira) e Paulo/MG (Jireh) são esperados para cursos e aulões a serem ministrados durante o evento.


Programação do Encontro Feminino Mulheraça


 27 de setembro - Salesópolis

Durante o dia atividades nas escolas de Salesópolis 
20hs - Roda na praça e Festividade para homenagear Cosme e Damião com entrega de doces e Samba de Roda e Musicalidade Infantil 

28 de setembro - Salesópolis 

8hs - Saída da praça com Berimbalada Feminina até o Portal de Salesópolis
9hs - Aulas com Mestranda Kelly e Professora Sinhá no portal da Cidade de Salesópolis 
10:30 - Roda no Portal Almoço 
14hs - Aulas com Contramestre Juliana (Capoeira) e Professor Zula (Primeiros socorros)
Lanche da tarde 
17:30 - Hora do Frevo com Instrutora Malagueta
20hs - Roda na praça e batizado no Coreto da Cidade de Salesópolis

 29 de setembro - Biritiba Mirim

8:30 -Palestras sobre saúde da mulher, lesões na capoeira e mulher na capoeira.
10h - Mesa Redonda ( Elas perguntam, os mestres respondem)
13hs - Almoço de Confraternização na Casa do Mestre Buiu. 

Investimento: 50 reais (Alojamento, alimentação, cursos e certificado)

Para mais informações:
fran-capoeira21@hotmail.com

terça-feira, 18 de junho de 2013

Mestre Toni Vargas e Mestre Casquinha - Poesia para ouvir e sentir


Mestre Toni Vargas e Mestre Casquinha
Quem acompanha o Blog já deve ter percebido que eu sou super fã do Mestre Toni Vargas. Vira e mexe eu uso uma música, ou poesia dele pra ilustrar algo aqui no Blog. Dessa vez é diferente, eu não vou ilustrar algo com um vídeo ou áudio, o vídeo é a razão da postagem. E que razão!
Há poucos minutos assisti a esse vídeo e não podia deixar de dividir com os meus leitores. 
Abra os ouvidos e a percepção!




https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Lwx8lx36nCQ


Não consegui colocar o vídeo aqui, acredito que seja por causa das visualizações. Em breve eu faço update aqui no blog e coloco o player na página.

Foto: Mestre Casquinha/Internet

sexta-feira, 8 de março de 2013

Entrevista

MESTRE MARA
Herança Cultural


Siomara Sousa Santos nasceu em Santa Cruz da Vitória, Bahia, em 12 de Abril de 1970.
Começou na Capoeira aos 12 anos por influência de seu irmão, Mestre Chuveiro. Mesmo após o afastamento dele das rodas de Capoeira, Mestra Mara persistiu nos treinos e resolveu se filiar ao Grupo do Mestre Catitu, hoje Herança Cultural
Mãe de duas meninas, nem mesmo a maternidade foi capaz de lhe afastar da sua grande paixão, a Capoeira.
Mestre Mara vive em Guarulhos/SP e na roda e na vida é um exemplo de garra e superação.

*A entrevista a seguir foi realizada em Março de 2013 e é inédita e exclusiva do Blog Capoeira de Toda Maneira

(Maíra Gomes) - Conta como foi seu começo na capoeira com o seu irmão: 

(Mestre Mara) - Bom, iniciei minha trajetória aos 12 anos em Outubro de 1982, com meu Mestre e irmão, Mestre Chuveiro (Juscelino José de Sousa Santos). Ele que me apresentou a capoeira. Eu havia deixado de praticar ginástica olímpica, esporte que pratiquei por dois anos, e então a facilidade que eu tinha para fazer ginástica fez com que eu praticasse a capoeira. 


(Maíra Gomes) - Seu irmão foi seu primeiro Mestre, mas o resto da família te apoiou na prática da Capoeira? 

(Mestre Mara) - Sim, até me formar como Contramestre. Sou de uma família de nove irmãos, mas como eu estava com meu irmão mais velho não tinha problema, pois eles também não achavam que futuramente eu faria da capoeira minha profissão e minha filosofia de vida. Já minha mãe nunca gostou muito, mas também não conseguiu mudar o destino que foi traçado assim que a capoeira me escolheu. 


(Maíra Gomes) - Como foi sua caminhada até chegar ao Grupo Herança Cultural? 

(Mestre Mara) - Depois de uns dois anos que meu irmão havia parado com a capoeira, em 97, resolvi me filiar ao grupo de capoeira do Mestre Catitu, que na época ainda se chamava Guerreiros de Zumbi e hoje é meu Grupo Herança Cultural Capoeira. 


(Maíra Gomes) - Como é sua relação com o Mestre Catitu? 

(Mestre Mara) - Além de aluna e Mestre, somos parceiros e amigos, pois dividimos tudo que está relacionada ao grupo e também coisas pessoais. 


(Maíra Gomes) - A senhora é formada em Educação Física. Já trabalhou em alguma outra coisa que não seja Capoeira? 

(Mestre Mara) - Sim, em academia, com musculação, natação e ginástica localizada. 


(Maíra Gomes) - Quem são seus ídolos na Capoeira? 

(Mestre Mara) - São tantos. Alguns que já não estão entre nós, mas que foram e ainda representam muito para nossa arte, como Mestre Bimba e Mestre Pastinha e outros a quem tenho muito respeito e admiração, como Mestres Pinatti, Lobão, Suassuna, Rã, Maurão e meus Mestres Chuveiro e Catitu. 


(Maíra Gomes) - Fale um pouco sobre seu trabalho, locais de aula, tipo de público: 

(Mestre Mara) - Bom eu sou fruto de um projeto social, então sempre fiz questão de também dar aulas em projetos, além de escolas e academias, e o público sempre muito heterogêneo, crianças, adolescentes e adultos. 


(Maíra Gomes) - É mais difícil para as mulheres se manterem na capoeira em função da maternidade e do casamento? 

(Mestre Mara) - Sim, pois a maioria das mulheres quando são mães, ou se casam, passam a se dedicar às vezes completamente para a família, não restando tempo para a prática da capoeira. 


(Maíra Gomes) - Como conseguiu conciliar a função de mãe com a de mestra de capoeira? É verdade que jogou Capoeira até o último mês de gravidez? 

(Mestre Mara) - Quando fui mãe pela primeira vez já tinha feito à escolha de ser capoeirista e de fazer dela minha profissão, então minha pequena teve que se adaptar a essa minha vida e escolha. E com a segunda filha não foi diferente. Sim, da primeira gestação, quando tinha 27 anos, joguei capoeira até um dia antes da Thayná nascer e de Maria Eduarda, já com 38 anos, parei de jogar ao sete meses, mas não deixei de ir tocar o berimbau até os últimos dias. 



(Maíra Gomes) - Já sentiu preconceito por ser mulher e Mestra de capoeira? 

(Mestre Mara) - Sim, mas como Mestra nunca. Em alguns momentos, onde os homens tem a necessidade de se aparecer e achar que uma mulher não pode ser melhor que eles, muita vezes, mas em nenhuma deixei me intimidar ou deixei de jogar. Seria mais fácil ele não jogar rsrsrs..... 



(Maíra Gomes) - Em sua opinião, que mulheres são referências na Capoeira? 

(Mestre Mara) - Aquelas que como eu, tem a capoeira fazendo parte de suas vidas e que não deixarão nada ou ninguém interromper isso. Tenho muitas amigas, vou citar algumas, mas meninas se eu esquecer alguém me perdoem: Mestras Cigana, Luana, Arara, Brisa, Jô e Contramestres Iúna, Didi, Amazonas, Dendê, Viviam, Karine, Juliana e muitas outras. 


(Maíra Gomes) - A senhora acha que as mulheres já conquistaram seu espaço nas rodas de Capoeira, ou há algo ainda a ser conquistado? 

(Mestre Mara) - Sim, o espaço é nosso, agora é só manter com muito respeito, trabalho, treino, dedicação e conhecimento. E o que tiver para ser conquistado iremos conquistar. 


(Maíra Gomes) - Qual a sua opinião sobre eventos exclusivos para as mulheres, como encontros femininos, rodas femininas e até campeonatos separados por sexo? 

(Mestre Mara) - Sou a favor que as mulheres se organizem para realizarem eventos, mas não somente femininos, pois o espaço da roda é para todos, homens e mulheres onde podemos jogar e também nesses momentos de encontros onde a mulher esta em evidencia conversarmos e discutir o papel da mulher nessa arte, pois não só na capoeira, mas em todos os âmbitos da sociedade nós estamos lá lutando pelo nosso espaço então serão momentos de reflexão para homens e mulheres, quando se trata de competições acredito que possa ser dividido sim por gênero como em todas as artes marciais. 


(Maíra Gomes) - Pra terminar: A Mestre Mara é muito rígida com seus alunos, se considera exigente? 

(Mestre Mara) - Sim, sou rígida, pois também meus mestres foram e são rígidos e acredito que assim meus alunos serão tão bons e dedicados quanto eu. Mas é claro que isso acontece com os alunos que já são adolescentes ou adultos e com uma graduação mais alta, quando crianças prefiro que se apaixonem pela arte, aí depois não tem mais jeito. 


Contato:

https://www.facebook.com/mestra.mara.3?fref=ts


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