segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Você sabe o que cantando? - Especial Waldeloir Rego

M


s.m. Corrutela de mar.

Ex:
Oi tombo do má
Marinhêro
Oi tombo do má
Estrangêro.

Maitá.
Creio que seja corrutela de Humaitá devido à síncope da silaba inicial. Em face dos episódios da guerra do Brasil com o Paraguai, justamente na época em que os capoeiras começaram a chager ao auge em suas atividades, as cantigas se referem sempre a Humaitá, daí poder admitir-se a hipótese acima. 

Ex:
Sô eu Maitá
Sô eu Maitá
Sô eu
Sô eu Maitá
Sô eu Maitá
Sô eu
Puxa puxa
Leva leva
Joga pra cima de mim
Sô eu Maitá
Sô eu Maitá
Sô eu
Quem tivé mulé bonita
E a chave da prisão
Sô eu Maitá
Sô eu Maitá
Sô eu
Vô dizê pra meu amigo
Qui hoje a parada é dura
Sô eu Maitá
Sô eu Maitá
Sô eu
Quem ama mulé dusôtro
Não tem a vida segura

Mandacaru. s.m. Planta da família das cactáceas (Cereus jamarecu, De Candolle). 

Mandinguêro
adj. Corrutela de mandingueiro. Deriva de mandinga, feitiço, bruxaria e nos paises latino-americanos designa o diabo. 

Ex:
Quis me matá
Iê, quis me matá
Camarado
Na falsidade
Iê, na falsidade
Camarado
Faca de ponta
Iê, faca de ponta
Camarado
Sabe furá
Iê, sabe furá
Camarado
Ele é cabecêro
Iê, êle é cabecêro
Camarado
E mandinguêro
Iê, ele é mandinguêro
Camarado
No campo de batalha
Iê, no campo de batalha
Camarado
Viva meu mestre
Iê, viva meu mestre
Camarado
Que me insinô
Iê, que me insinô
Camarado
A madrugada
Iê, a madrugada
Camarado
Da capoêra
Iê, da capoêra
Camarado

Mando
v. Corrutela de mandou do verbo mandar, do latim mandare.

Ex:
Cabôco do mato vem cá
O meu berimbau
Mando lhe chamá.

Mangangá
s.m. o mesmo que gamgamba.


Maracangalha s.f. Nome próprio designativo de um lugarejo no Estado da Bahia. Famoso no mundo da capoeira, devido às inúmeras façanhas do temível capoeira Besouro. 

Ex:
Besôro quando morreu
Abriu a boca e falô
Adeus Maracangalha
Qui é terra de matado.


Marimbondo
s.m. Tipo de inseto que faz casa nas árvores e ataca pessoas ou rebanhos de animais. 

Ex:
Oi marimbondo, marimbondo
Pelo sinal
Marimbondo me mordeu
Pelo sinal
Marimbondo, marimbondo
Pelo sinal
Ele mordeu foi no pézinho
Pelo sinal
Ele mordeu foi no nariz
Pelo sinal.

Martelo
s.m. Nome dado pelo sertanejo a um verso de dez sílabas, com seis, sete, oito, nove ou dez linhas. 

Ex:
Riachão tava cantando
Na cidade de Açu
Quando apareceu um nêgo
Como a espece de ôrubú
Tinha casaca de sola
Tinha calça de couro cru
Beiços grossos redrobado
Da grossura de um chinelo
Tinha o ôlho incravado
Outro ôlho era amarelo
Convidô Riachão
Pra cantá o martelo
Riachão arrespondeu
Não canto cum nêgo desconhecido
Ele pode sê um escravo
Ande por aqui fugido
Eu sô livre como um vento
Tenho minha linguagem nobre
Naci dentro da pobreza
Não naci na raça pobre
Que idade tem você
Que conheceu meu avô
Você tá parecendo
Que é mais môço do que eu.

Marvado
adj. Corrutela de malvado

Ex:
Esta cobra te morde
Sinhô São Bento
Oi o bote da cobra
Sinhô São Bento
Oi a cobra mordeu
Sinhô São Bento
O veneno da cobra
Sinhô São Bento
Oi a casca da cobra
Sinhô São Bento
O que cobra danada
Sinhô São Bento
O que cobra marvada
Sinhô São Bento
Buraco velho
Sinhô São Bento
Tem cobra dentro
Sinhô São Bento
Oi o pulo da cobra
Sinhô São Bento
E cumpade.

Matô. v. Corrutela de matou do verbo matar. de origem controversa. 

Ex:
Não se mêta meu irmão
Qui esse home é valente
Na usina Caco Velho
matô Chico Simão
Vamo imbora camarado
Vamo saí dessa jogada
A festa é muito boa
Mas vai tê muita pancada.

Melado
s.m. Em lugar de melaço, espécie de guloseima feita com rapadura, especialmente rapadura puxa. É servido com colher, puro ou então com um pouco de farinha copioba, espécie de farinha de guerra, também chamada de farinha de mandioca, bem fina e torrada. Ambos são derivados de mel, que por sua vez é o latim mel.

Ex:
Meu pai bem me dizia
Que não comesse melado
Chegando de manhazinha
Agua de côco velado.

Meste
s.m. Corrutela de mestre , do latim magister.

Ex:
Meste, meste
Eu sô meste
O ninguém me conhece como meste
Meste, meste
Eu sô meste
Você me respeite como meste
Meste, meste
Eu sô meste
Você me atende como meste.

Milhó
adv. Corrutela de melhor, do latim meliore, melhor.

Ex:
Cachorro qui ingole osso
Ni alguma coisa ele se fia
Ou na güela ou na garganta
Ou ni alguma trivissia
A coisa milhó do mundo
E se tocá berimbau
Lá no Rio de Janêro
Na Rádio Nacional.

Minino
s.m. Corrutela de menino

Ex:
Minino quem foi teu meste?
Minino quem foi teu meste?
Meu meste foi Salomão
Eu sô dicipo qui aprendo
Sô meste qui dô lição
O meste qui me insinô
Stá no Engenho da Conceição
A êle só devo é dinhêro
Saúde e obrigação
O segrêdo de São Cosme
Quem sabe é São Damiao
Camarado.

Misquinho
adj. Corrutela de mesquinho

Ex:
O meu Deus o qui eu faço
Para vivê neste mundo
Se ando limpo sô malandro
Se ando sujo sô imundo
O qui mundo velho grande
O qui mundo inganadô
Eu digo desta manêra
Foi mamãe qui me insinô
Se nao ligo só covarde
Se mato sô assassino
Se não falo sô calado
Se falo sô faladô
Se não como sô misquinho
Se como sô gulôso.

Mocambira
s.m. Planta da família das cactáceas (Agallostachys laciniosa, Koch). Planta da zona da seca do Nordeste do Brasil, conhecida também em suas modalidades chamadas macambira de brancomacambira de cachorro e macambira de flexa

Ex:
Chique-chique mocambira
Mandacaru parmatória
A mulé quando não presta
O home manda imbora
O qui foi qui a nêga disse
Quando viu a sinhá
Uma mão me dê me dê
Outra mão de cá dê cá.

Môrão
s.m. Corrutela de mourão

Ex:
Oi i oi i
Você tem cachaça aí
Oi i oi i
Você tem cachaça aí
Oi i oi i
Você tem mais não qué dá
Oi i oi i
Ferro grande é meu facão
Oi i oi i
Dente de onça é môrão
Oi i ôi i
Aranha Caranguejêra
Oi i oi i
E o cavalo do cão
Oi i ôi i
Você tem cachaça aí
Oi i oi i
Você tem mas não qué dá.

Muchile
s.f. Corrutela de mochila, espécie de pequeno saco, onde geralmente se guarda dinheiro. 

Ex:
A soberba combatida
Foi quem matô Pedro Sem
No céu vive meu Deu
Na terra vale quem tem
Lá se foi minha fortuna
Escramava Pedro Sem
Saía de porta em porta
Uma esmola a Pedro Sem
Hoje pele a quem negô
Qui onte teve e hoje não tem
A quem eu neguei esmola
Hoje me negue também
Na hora da sua morte
A justiça ensaminô
Correndo o bôlso dele
Uma muxila encontrô
Dentro dela um vintém
O letrêro qui dizia
Eu já tive hoje não tem
A soperba combatida
Foi quem matô Pedro Sem
Viva Pedro Sem
Quem não tem não é ninguém. 

Mulato
s.m. Designa o ser humano resultante do cruzamento de um homem branco com uma mulher negra e vice-versa. 

Ex:

Chuva, chuva miudinha
Na copa do meu chapéu
Nossa Senhora permita
Qui nêgo não vá no céu
Todos branco qué sê rico
Todos mulato rimpimpão
Todos nego feticêro
Todos ciganos ladrão.

Mulé
s.f. Corrutela de mulher do latim muliere, mulher.

Ex:
Oia lá siri de mangue
Todo tempo não um
Tenho certeza qui você não güenta
Com a presa do gaiamum
Quando eu entro você sai
Quando eu saio voce entra
Nunca vi mulé danada
Qui não fôsse ciumenta.

Muleque
s.m. Canecattim deriva do quimbundo muleque, menino. Entrou no Brasil com esa acepção, para depois sofrer alteração semântica. Deixou de ter aquele sentido puro e simples de menino, para designar o menino de rua, o capadócio, roubando as coisas e atirando pedra nas vidraças dos respeitáveis sobrados. O termo ficou para designar o adulto, com as atitudes de menino, asssim como o homem pataco, bastando para isso que fosse negro e escravo. Basta que se folheie os jornais da época do cativeiro para lá se ver: – Quem tiver um moleque maior de 18 anos que queira alugar para carregar coisa de comida, fale com o Barateiro, que só quer escravo e paga bem se agradar.Hoje em dia, a palavra tem maior elasticidade – não importa a idade, casta, classe ou cor a que pertencia o homem, basta que proceda mal, para se lhe chamar de moleque. 

Ex:
Esse home é valente
Sei sim sinhô
Ele sta com a navalha
Sei sim sinhô
Ele vai lhe cortá
Sei sim sinhô
O muleque é ligero
Sei sim sinhô
Ele vai lhe pegá
Sei sim sinhô
Cuidado com ele
Sei sim sinhô
Ele qué lhe matá
Sei sim sinhô

Mungunjê.
termo de origem e acepção desconhecidas. 

Ex:
Tim, tim, tim Aluandê
Aluande cabôco é mungunjê
Tim, tim, tim Aluandê
Aluanda, Aluanda, Aluandê
Tim, tim, tim Aluandê
Aluanda hoje é ferro de batê
Tim, tim, tim Aluandê
Eu cheguei lá in casa
Não vi vosmicê.

Munheca
s.f. Designa a articulação da mão com o braço. De origem ainda controvertida. 

Ex:
Quem pede, pede chorando
Quem dá merece vontade
O triste de quem pede
Com a sua necessidade
E no céu vai quem merece
Na terra vale quem tem
Dedo de munheca é dedo
Dedo de munheca é mão
O sangue corre na veia
Na palma de minha mão
E verdade meu amigo
Nossa vida é um colosso
Mais vale nossa amizade
Do que dinheiro em nosso bôlso.

Muta.
s.f. Nome proprio designativo de um lugarejo, situado proximo a ilha de Itaparica, no Estado da Bahia.

Ex:
Dona Maria
Qui vem de Mutá
Oi qui vem de Mutá
Oi qui vem de Mutá.


REGO, Waldeloir. Capoeira Angola – Ensaio sócio-etnográfico. Salvador:Editora Itapoan,1968

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

E aí, qual a boa do final de semana?

Pronto para o final de semana? Então escolha a sua programação e boa vadiação!
Campinas/SP













Sexta, Sábado e Domingo

Barcelona/Espanha































Sexta-Feira

São Paulo/SP














Niterói/RJ

20h - Curso com o Mestre Léo Pivete - Grupo Capoeira Brasil
Local: Academia Corpu's Icaraí
Rua Gavião Peixoto, 142 - Icaraí - Niterói

Sexta e Sábado

Juiz de Fora/MG




























Sexta e Domingo

São Paulo/SP























Sábado

Cotia/SP




























Rio de Janeiro/RJ

19hs - Roda de mês do Prof. Minhoca - Capoeira Terranossa
Local:Metrô Vicente de Carvalho


14 hs - Terceiro Festival e Troca de graduações - Escola de Capoeira Manduca da Praia
Local: Esporte Clube Makenzie. Méier/RJ

Niterói/RJ













Sábado e Domingo

Mogi Mirim/SP
















Sábado à Terça

Rio de Janeiro/RJ

















Domingo

Salvador/BA














Wenceslau Braz/PR

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Você sabe o que tá cantando? - Especial Waldeloir Rego


Em nossa homenagem a Waldeloir Rego de hoje, temos as letras J e L.

                                                                                                                                                                                                  
        
                                           J  





Jaca dura. s.f. Fruta (Artocarpus integrifolia, Linneu). Na Bahia, de acordo com a consistência da porção carnosa, ela se distingue em jaca dura e jaca mole.

Ex:
Chora minino
Nhem, nhem, nhem
O minino e chorão
Nhem, nhem, nhem
Sua mãe foi pra fonte
Nhem, nhem, nhem
Ela foi pro Cabula
Nhem, nhem, nhem
Foi comprá jaca dura
Nhem, nhem, nhem
Da cabeça madura
Nhem, nhem, nhem
O minino chorão
Nhem, nhem, nhem
Choro qué mamá
Nhem, nhem, nhem

Jogá
v. Corrutela de jogar, verbo jogar. 

Ex:
E valha-me Deus sinho São Bento
Eu vô jogá meu barravento.

Japão
s.m. Nome próprio de um país da Ásia. 

Ex: 
Piauí de tupedêra
Ti no pôrto da Bahia
Marinhêro suburdinado
Tu prantando arrelia
Se eu fosse governadô
Do estado da Bahia
Quando desse as quatro hora
O Itapa não saía
Não vá se mete a pique
La nas águas do Japão.

L

Ladeira de São Bento
s.f. Nome próprio designativo de uma rua da cidade do Salvador. Chama-se assim por ser uma pequena ladeira, que dá acesso ao Mosteiro de São Bento. 

Ex:
Eu comprei uma galinha
Por quatro mil e quinhento
Na ladêra de São Bento
Não bem peguei na galinha
Já os pinto piava dento.

Ladeira da Misericórdia

s.f. Nome próprio designativo de uma rua da cidade do Salvador. Chama-se assim por ser uma ladeira situada no fundo da Santa Casa da Misericórdia. 

Ladeira do Tengo
s.f. Nome próprio designativo de uma rua da cidade do Salvador. Não consegui localizá-la, nem muito menos a origem do seu nome. 

Ex:
Na ladêra do Tengó
Passa o boi o carro chia
Desata torna amarrá
Mais sorte os cabelo Maria.

Lambaio
s.m. Bajulador, adulador. 

Ex: 
O ê ó a
O ê ó a
O ê ó a
Lambaio, lambaio
Lambaio, lambaio
E lamba ê e
E lamba ê ê
E lamba ê ê.


Lampião
s.m. Nome próprio do famoso cangaceiro do Nordeste do Brasil, Virgolino Ferreira da Silva, nascido na paróquia de Floresta de Navo, em Pernambuco, a 4 de junho de 1898 e morto a tiro de fuzil na cabeça, numa gruta da Fazenda Angicos, Porto da Folha em Sergipe, na madrugada de 28 de julho de 1938.

Ex:
E sim, sim
Oi não, não
Oia a pisada de Lampião
E sim, sim
Oi não, não
Oia a pisada de Lampião
Oia a pisada de Lampião.

Lemba
s.m. Corrutela de Elégba, o mesmo que Elégbará, um dos designativos do deus nagô Exu

Ex:
O lemba ê lembá
Lemba do barro Vermelho

Licuri
s.m. Palmeira silvestre que possui uns pequenos cocos (Cocos coronata, Mart.) 

Ex:
Quem nunca viu
Venha vê
Oi venha vê
Oi venha vê
Quem nunca viu
Venha ver
O licuri bota dendê

Loiá.
Contração de lá oiá, corrutela de lá olhar

Ex:
Manda lá lecô
Caju ê
Manda loiá
Caju ê
E cum caju ê
E cum caju ê.

Luanda
s.f. Nome de uma cidade africana e capital de Angola. 

Ex: 
Tim, tim, tim Aluandê
Aluande cabôco é mungunjê
Tim, tim, tim Aluandê
Aluanda, Aluanda, Aluandê
Tim, tim, tim Aluandê
Aluanda hoje é ferro de batê
Tim, tim, tim Aluandê
Eu cheguei lá in casa
Não vi vosmicê.


REGO, Waldeloir. Capoeira Angola – Ensaio sócio-etnográfico. Salvador:Editora Itapoan,1968

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

E aí, qual a boa do final de semana?

Cumprindo aqui meu compromisso com vocês, apesar de alguns problemas pessoais q passei nos últimos dias. Espero que vocês aproveitem as dicas! Axé!

Sexta e Sábado
São Paulo/SP













Evento Ingá Capoeira


Programação:

Dia 02.11.2012 (Feriado)
15hs – Roda de Capoeira ( Aberta)

Dia 03.11.2012

10hs – Aula de Capoeira – Mestres Convidados
11:30 hs – Almoço
14hs – Roda Livre
15hs – Apresentação do Grupo Ingá Capoeira; Apresentação dos Convidados; Roda de Mestres e Contramestres; Roda de Professores e Instrutores; Roda de Alunos Graduados; 
16hs – Batizado e Troca de Cordas
18hs - Encerramento


Local: Horto Florestal – Rua do Horto, 931 – Horto – São Paulo - SP 
Realização Grupo Ingá Capoeira

Supervisão C. Mestre Perna

Serra/ES

























Sábado e Domingo
São Paulo/SP


























































Sábado

São Paulo/SP


15 hs - Roda e entrega de cordas - Grupo Geração Capoeira

Local: Palco do Parque da Aclimação
Rua Muniz de Souza, 1119, 01534-001 São Paulo

Supervisão Mestre Bambú

Contato: 7881-4544


Domingo

Juiz de Fora/MG


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